Arquivo da categoria: Leituras

Sobre o idealismo “pós-moderno”, o materialismo determinista e a crítica radical de Marx e Engels

NOTA DA PEDRA LASCADA: Diz a sabedoria popular (que mais sábia não há): meia verdade é sempre uma mentira inteira. Em tempos de relativização de verdades, de “pós-verdades” (que são igualmente mais novas e velhas mentiras), de distorções de fatos e reinvenção da História ao sabor do próprio capricho, o artigo que aqui segue é de leitura imprescindível para quem tem disposição de tirar as vendas dos olhos. Em tempo: procurando no Google imagens para este post,  ao digitar “pós-modernismo” apareceu, entre infinitas figuras, a imagem de uma zebra colorida; penso que imagem melhor não há que represente este mal-fadado conceito: nunca se sabe ao certo se a zebra é um anima branco com listras pretas, ou preto com listras brancas, mas continua sendo uma zebra; o pós-modernismo é isso – uma zebra colorida que encanta milhares de distraídos até de boa-vontade e que, ao final das contas, deu e sempre dará… zebra!  [M.S.]
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Na atualidade tornou-se comum a alegação de que a verdade não existe, o que existiria seriam apenas interpretações, pontos de vista particulares (saberes), todos igualmente válidos.E que qualquer tentativa de conhecer a verdade não passaria de pura arrogância e pretensão daqueles que buscam ingenuamente aprisionar a complexidade de nossa existência dentro de limites autoritariamente impostos por uma abordagem determinista qualquer.

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Eliane Brum: O Brasil desassombrado pelas palavras-fantasmas | Opinião | EL PAÍS Brasil

Nota da Pedra Lascada: Sobre o absurdo da prisão de Rafael Braga, da negação dos direitos básicos e fundamentais . Sobre o absurdo do absurdo da realidade em que vivemos. Sobre o falseamento da realidade e sobre possibilidades de começarmos a sair desse marasmo e desse emaranhado… 

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Como o sonho e a arte podem nos ajudar a acessar a realidade e a romper a paralisia

Fonte: Eliane Brum: O Brasil desassombrado pelas palavras-fantasmas | Opinião | EL PAÍS Brasil

 

No meio da desgracêra, eu truco!

Por Helena Silvestre, de São Paulo (SP)

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A melhor saída é aquela que construímos com as nossas próprias mãos.

O governo Temer acabou.

O homem arrogante ainda está sentado na cadeira. mas já não é capaz de apontar o caminho que o Brasil deve seguir. Nem ele e nem nenhum político de plantão – eleito ou candidato – tem a nossa confiança.

Escândalo após escândalo as máscaras caem por terra e ficamos frente a frente com a cara desse sistema podre que já passou da hora de acabar. Continuar lendo No meio da desgracêra, eu truco!

Leitura de recesso escolar: “Amor e Capital”, de Mary Gabriel

Gabriel, Mary. Amor e Capital: a saga familiar de Karl Marx e a história de uma revolução; tradução de Alexandre Barbosa de Souza. – Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

Quando comprei esse livro, há uns anos atrás, fui atraído pela ideia de conhecer sobre a vida de Karl Marx para além do político e pensador endeusado ou amaldiçoado de acordo com as lentes e filtros adotados.

Contudo, este não é um livro pura e simples sobre Karl Marx, e sim sobre sua família, sobre a história de um casal e sobretudo sobre as mulheres fortes e combativas que enfrentando barbaramente as adversidades da vida impostas pelo modo de produção e pelas relações sociais predominates no capitalismo fizeram história junto com Marx, mas na historiografia acabam sendo relegadas a segundo plano. Como diz a autora, num prefácio que dispensa maiores apresentações, e que transcrevo parte como um convite à leitura:

“A história da família Marx é tão rica que elucida também o desenvolvimento das ideias de Marx, uma vez que se desenrola sobre o pano de fundo do nascimento do capitalism moderno. O sistema capitalista do século XIX amadurece com as filhas de Marx. Ao final do século, as lutas que elas enfrentaram em nome dos trabalhadores já não pareciam as que o pai lutara em meados do século. As batalhas da época dele davam a impressão de ter sido relativamente amenas. As lutas do tempo de suas filhas se tornaram selvagens (…)

Ao escrever as biografias dos grandes homens de Roma e Atenas antes de sua morte em 120 d.C., Plutarco afirmou que a chave para entender esses homens não estava nas conquistas dos campos de batalha ou en seus triunfos públicos, mas em suas vidas pessoais, em seus personagens, até mesmo um gesto ou uma palavra. Acredito que através da história da família Marx, os leitores poderão entender melhor Marx, da forma como Plutarco sugere. Espero também que os leitores saiam desta leitura com admiração pelas mulheres da vida de Marx, que por causa da sociedade em que foram criadas acabaram assumindo papéis quase sempre secundários. Acredito que a coragem, a força e o brilhantismo dessas mulheres já permaneceram tempo demais na obscuridade. Sem elas não haveria Karl Marx, e sem Karl Marx o mundo não seria como nós o conhecemos”.

Vamos à leitura, pois!

[M.S.]

8 Dicas para estimular seu filho em casa

Diário da Inclusão Social (https://diariodainclusaosocial.com) é um blog que recomendo a pais, mães, educadores e todos que queiram saber mais sobre as questões da inclusão em nossa sociedade. A partir de experiências concretas vividas em família e pelos conhecimentos adquiridos destas experiências, de pesquisas e leituras, Talita, Luciene e Maria de Lourdes vão nos apresentando um mundo de possibilidades na educação e convivência com seres humanos com necessidades especiais, de tal maneira que passamos a compreender não como “deficiência”, mas sim como características e singularidades humanas as diferenças no jeito de ser, pensar e conviver de cada ser humano.

Diário da Inclusão Social

Estimular nossos filhos é um processo diário e continuo…. Que faz toda a diferença para a sua qualidade de vida e o para o sucesso de seu desenvolvimento! E este  não precisa ser um processo maçante e cansativo, pelo contrário: pode e deve ser muito prazeroso para todos os envolvidos, até porque quanto mais envolvente, mais significativo!

Passo agora a compartilhar com vocês algumas atividades e brincadeiras que eu e o Caique gostamos muito de fazer em casa. Confiram!

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MIUDEZAS DE PENSAR * Tiny little things of thinking

Ana de Lourdes escreve com uma sensibilidade única, ousando neologismos e figuras de linguagens penetrantes. Em suas escritas é difícil saber o que é real ou imaginário, tudo se sintetiza numa harmonia ao mesmo tempo simples – pela linguagem coloquial e envolvente – e complexa – pela força das metáforas construídas como alicerces poderosos de um edifício que toca as nuvens do céu. Convido-os a conhecerem seu blog: https://anadelourdes.wordpress.com

Poesias e Cia - Ana de Lourdes Teixeira

Rodin
Escondo o mundo nos músculos do peito... 
Enrolados neste barulho, somos sons intermináveis!
ruidosos, porque vitrais se quebram,
Ou é esse mundo de vidro que balança demais.

Alimento a fé com miudezas...
Espanta-me as preces decoradas!
Decorei,  porque não acredito,
ou acreditando juntei memórias?

Engravido de fluidos que viram gente,
e de versos enfileirados que nunca pedi...
Possuo dons porque mereço,
ou por não merecer me tornei quem não sou?

Seguro a paciência num fio sem limites,
admirando caminhos que jamais se encontraram....
Encontro, porque espichar deixa sobras,
ou porque estirada me alcanço do outro lado?

Espreito o que é meu, desejo o que não sinto falta.
Maravilhas de pequenas criações...
Inventadas porque sou “querente”,
ou porque pensamento é descoberta de sonhador.

Ana de Lourdes Teixeira - Março,2017

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Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 4

Evidentemente, as classes sociais não se constituem de um todo homogêneo com sujeitos cujos interesses e princípios são os mesmos ou sequer similares, e nesse sentido há que se valer dos estudos culturais para compreender as ações, pensamentos e construções identitárias dos grupos no interior das classes. Nesse sentido, podem ser muito úteis e pertinentes as contribuições de Canen e Moreira quando defendem, por exemplo, que “às situações de violência real devem-se acrescentar os efeitos da violência simbólica decorrentes do processo de globalização excludente que, ao procurar homogeneizar manifestações culturais, termina por anular vozes e experiências dos grupos oprimidos”. Continuar lendo Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 4

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturaismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 3

Algumas considerações (in) pertinentes: pensamento neoliberal e discurso pós-moderno

A preocupação com a pluralidade cultural, com o respeito e valorização dos grupos culturais e étnicos é fundamental para a construção de uma sociedade democrática. O diálogo, neste sentido, assim como propõem Conem e Moreira, deve ser o princípio básico, a essência de uma educação voltada para a transformação social. O “monopólio do diálogo”, a hegemonia da fala e do poder político, representado e concomitantemente perpetuado pela concentração do poderio econômico nas mãos de uns poucos ainda são entraves grandiosos para a superação da segregação social e discriminação cultural em nossa sociedade. Talvez por isso mesmo é que Paulo Freire nos alerta para a impossibilidade de um verdadeiro diálogo entre os sujeitos da classe oprimida e os sujeitos da classe dominante. O diálogo, define Paulo Freire (1986: 123) “é o momento em que os humanos se encontram para refletir sobre sua realidade tal como fazem e re-fazem(…)“. Através do diálogo, refletindo juntos sobre o que sabemos e não sabemos, podemos, a seguir, atuar criticamente para transformar a realidade. Continuar lendo Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturaismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 3

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente, de Canen & Moreira – Parte 2

Ainda que se valendo de categorias questionáveis como pós-modernismo – ideologia especifica do neoliberalismo (CHAUÍ apud FRIGOTTO, 1995: 79), no campo da esquerda –  e de uma suposta superação do conceito marxista de cultura, Canen e Moreira não negam o papel dos conflitos e das relações de poder no seio da sociedade, ao contrário, os realçam, afinal, não pode haver “educação multicultural separada dos contextos das lutas de grupos culturalmente dominados, que buscam modificar, por meio de suas ações, a lógica pela qual, na sociedade, os significados são atribuídos.” Aliás, para eles, “a educação multicultural não é uma concessão, mas sim o resultado de lutas iniciadas no âmbito de movimentos sociais e populares visando a uma participação mais igualitária na vida social e cultural”. Continuar lendo Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente, de Canen & Moreira – Parte 2

Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 1

NOTA DA PEDRA LASCADA:  A resenha que seguirá aqui em quatro partes foi escrita em 2005 como um trabalho de análise crítica para a disciplina Formação de Equipe Escolar, do curso de Pedagogia do Centro Universitário Fundação Santo André. Reencontrei-a em meio a arquivos que estava reorganizando e resolvi compartilhar, pois resgata uma polêmica que mantenho com o conceito de pós-modernismo – polêmica esta que inspirou, por ironia proposital, o anacrônico nome deste Blog – Pedra Lascada. Autorizo a reprodução total ou parcial do mesmo para fins não comerciais, desde que devidamente citada a fonte e a autoria. [M.S.] Continuar lendo Análise crítica: “Reflexões Sobre o Multiculturalismo na Escola e na Formação Docente”, de Canen & Moreira – Parte 1