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Sou o que sou: presente, passado e futuro; tempos intercalados; movimento das ondas e do espaço; metamorfose ambulante e, ainda assim, o mesmo de antes! Professor do Ensino Fundamental por oito anos, atualmente diretor escolar em uma escola de Educação Infantil, "péssimo aluno, ótimo estudante" - alguém dissera de mim, se bem que tenho minhas dúvidas - leitor, garimpador de pérolas discursivas, escrivinhador sem pretensões literárias. E assim caminha a humanidade...

Das palavras que não devem ser ditas

Certas palavras são como represa. Guiando-se pelas estrelas ou se deixando levar ao sabor dos ventos, você pode navegar serenamente por suas águas enquanto as mantém contidas.

Às vezes você sente a brisa morna, às vezes passa por uma tempestade e elas permanecem a guardar seus tesouros no fundo, onde só veem os que têm olhos para ver, os que ousam forçar a vista, mas você  continua navegando dono de si e do leme, apontando a proa na direção que acredita ser mais segura, mesmo que não seja a melhor.

Certas palavras são como represa. Se não tiver coragem para encarar o inusitado, deixe tudo como está. Se não tiver disposto a navegar por outras águas, ora turbulentas, ora calmas, não libere as comportas. Você não conseguirá conter a intensidade da correnteza, não sabe como vai lidar com ela no momento seguinte.

Vai nadar contra as correntes e terá força suficiente para chegar aonde pretende? Vai se entregar ao fluxo e ainda terá energia para retomar um caminho sem volta, certo de que nem o caminho nem você haverão de ser os mesmos do ponto de partida?

Certas palavras são como represa. Uma vez incontidas, a potência das águas vai te arrastar para um fim e para um início, porque o fim é sempre oportunidade para um começo, que tem seu preço conforme o seu valor e o valor que você dá a certas palavras.

Uma vez abertas as comportas, as águas não podem mais ser represadas.  Assim como certas palavras que – bem ou mal – não devem ser ditas, ainda que benditas.

A menos que esteja preparado a reescrever sua carta de navegação, certas palavras… mantenha-as contidas. Tal como ás aguas de uma represa.

 

 

Chegamos à “nova era”: a era da apologia à ignorância, a era da imbecilidade.

Governo Bolsonaro libera publicidades e erros em livros didáticos

Mais um desserviço do governo Bolsonaro prejudicará ainda mais a qualidade da educação: livros didáticos liberados com erros e sem necessidade de apresentar referências bibliográficas! E ainda por cima com propaganda?!!! É o caos!

E mais! Retirou a obrigatoriedade dos livros representarem a diversidade étnica e a pluralidade social existentes no Brasil e de tratar das questões da violência contra a mulher! Além disso, retirou a necessidade de garantia da qualidade da impressão do livro.

Esse governo e seus apoiadores são apologistas da ignorância, da estupidez e do desconhecimento.

Ensinar errado para os alunos e não ter qualquer preocupação com a fidedignidade da fonte de informação?!

Na prática, esse é um dos desdobramentos daquilo que Bolsonaro chamou, em seu discurso de posse, de combate ao politicamente correto e fica claro que, na “nova era” que a famiglia Bolsonaro e aliados querem impor, o certo é ser errado.

Daí a ministra Damares querendo impor seus (supostos) padrões hetero-normativos e seus dogmas religiosos nas escolas, se aventando em área que nem é da sua competência; daí um governo ter como guru intelectual um astrólogo terraplanista que não liga lé-com-cré, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (quem diria…); daí toda sorte (ou melhor, azar, de mentecaptos instalados no governo, incluído nesta lista o que foi proibido pela sua própria equipe econômica de explanar sobre economia (imagem exemplar de um homem arreado puxando os bois montados na carroça…).

Está instalada no Brasil a IDIOCRACIA!

Ps: Enquanto escrevia este texto, chegou a informação de que o governo recuou nessa medida insana. A conferir.

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Para saber mais:

Gestão Bolsonaro muda edital de livros, abre margem para erros e retira violência contra a mulher

Governo muda edital e passa a permitir erros em livros didáticos

MEC libera que livros didáticos usem dado sem fonte e ignorem diversidade

O saco de maldades foi aberto, e ninguém pode dizer que foi enganado por eles!

Às direções da classe trabalhadora e dos movimentos sociais cabe organizar a população em geral para impedir os cortes de direitos sociais e trabalhistas e a dilapidação do patrimônio nacional!

Em outubro de 2018, ainda em campanha eleitoral, Eduardo Bolsonaro publicou um tuíter revelador sobre o que seria um eventual governo de sua famiglia – logo tratou de corrigir como “gafe”, erro de digitação ou qualquer outra desculpa esfarrapada semelhante…  Contudo, mal completou dois dias na presidência, Bolsonaro pai mostra a que veio (e, convenhamos, nunca escondeu de ninguém): detonar com os direitos da população mais empobrecida, dos grupos mais vulnerabilizados e com os já poucos direitos da classe trabalhadora.

Leia também: O homem mediano assume o poder

Não deixa de ser ilustrativo que o seu primeiro decreto tenha sido rebaixar em 8 reais os já míseros 1006 reais previstos pelo Congresso para o salário mínimo em 2019, o que gerou uma gama de descontentamento de sua própria base de apoio popular. Foi apenas a primeira amostra daquilo que Bolsonaro dizia explicitamente em campanha: que governará para o empresariado, para o grande capital, principalmente o estrangeiro.

Leia também: Primeiro decreto de Bolsonaro reduz o salário mínimo votado pelo Congresso para 2019

Junto com esse primeiro pacote de maldades, veio a transferência de poder, aos ruralistas empossados no Ministério da Agricultura, de demarcação de terras indígenas e quilombolas, a desestruturação do Conselho de Segurança Alimentar e da Secretaria da Diversidade, Alfabetização e Inclusão do MEC, a retirada da comunidade LGBTI das diretrizes de Direitos Humanos, a extinção do Ministério do Trabalho e da Cultura, a proibição de publicização de ações do COAF (órgão que investiga movimentações financeiras suspeitas do ex-motorista dos Bolsonaros), entre outros.

Além disso, para além das nomeações de ministros investigados  em esquemas de corrupção (e até de um ministro – do Meio Ambiente – condenado por crimes cometidos relacionados à própria área à qual foi empossado), contrariando todo o seu discurso de estabelecer um “novo jeito de fazer política” sem conchavos e nomeando assessores por critérios técnicos, fez acordos políticos na composição do seus ministérios (cujas pastas em campanha prometia não passar de 15, o que de cara não cumpriu) e agora fecha acordo com Rodrigo Maia, deputado do DEM e investigado na Lava-Jato, para apoiá-lo à presidência da Câmara a fim de obter apoio às reformas impopulares e cargos em Comissões do Congresso.

Leia também: Em menos de 24 horas, Bolsonaro toma 17 medidas que colocam em risco o povo brasileiro e a soberania nacional

O aprofundamento dos ataques aos direitos sociais e trabalhistas, já iniciados em governos anteriores, só estão no começo. Enquanto lança cortinas de fumaça com o discurso vazio de combate ao socialismo (que nunca existiu no Brasil), a uma (inexistente) ideologia de gêneros nas escola, entre outros disparates, o objetivo principal do governo é garantir os privilégios da burguesia nacional, das velhas raposas políticas e do alto comando militar, repassando ainda mais a conta da crise para os mais pobres e para os trabalhadores, exterminando a previdência pública (e, com ela, o direito à aposentadoria, obrigando o trabalhador a investir em fundos privados), a justiça do trabalho (e, com ela, os já precários direitos trabalhistas), dilapidando o patrimônio público por meio das privatizações, diminuindo a oferta de serviços públicos (inclusive saúde e educação) e repassando-os para  iniciativa privada.

Leia também: Nas costas dos mais pobres: Reforma da Previdência anunciada por equipe de Bolsonaro quer que trabalhadores só se aposentem aos 65 anos

Em relação aos interesses da classe trabalhadora e da população pobre em geral,  o projeto neoliberal defendido por Bolsonaro não apenas está fadado ao fracasso, como também acarreta tragédias irreparáveis às vidas humanas. Nos anos 80, o Chile fez uma reforma da previdência que é a idealizada pelo governo Bolsonaro para ser aplicada no Brasil: uma das consequências mais dramáticas, lá, foi criar uma onda de suicídios de idosos, sem direito à aposentadoria, ou brutalmente pauperizados pelo financiamento de previdências privadas. Por conta disso, atualmente o Chile passa por um processo de discussão para reversão da privatização da previdência.

Leia também: Sem previdência pública, Chile tem número recorde de suicídio de idosos

Na Argentina de Macri, que é referência do neoliberalismo de Bolsonaro, em setembro de 2018 a inflação chegou a mais de 45%, o peso argentino desvalorizou, em um ano, 100%, levando a classe trabalhadora e a população pobre a enfrentar uma crise histórica, com as consequentes convulsões sociais.

Leia também: Argentina 2018: inflação de 45% e dólar de 40 pesos

Para quem tem algum senso de realidade ou se dá o trabalho de uma pesquisa (mesmo que rápida, mas séria),  não é difícil entender o abismo para onde nos arrastam as políticas neoliberais. Diante delas, é inevitável que a classe trabalhadora e a população em geral intensifique sua organização, ou se reorganize, para enfrentar os ataques aos direitos sociais e trabalhistas e para garantir melhores condições de vida.

Não à toa, o cenário de guerra montado pelo governo Bolsonaro em sua posse, com tanques, snipers, ameaças de abates de aeronaves e até mesmo a humilhação infligida a jornalistas e trabalhadores da imprensa em geral – foi um recado claro, obsceno, de que este governo está disposto a toda forma de violência, opressão e autoritarismo para impor sua política anti-povo. Ainda que tenha algum respaldo popular obtido pelas ilusões criadas e pelas mentiras inventadas durante sua campanha, o governo sabe que a lua-de-mel durará bem menos que comumente dura e que, passada a euforia da embriguez, a ressaca vai ser pesada, as frustrações serão inversamente proporcionais às expectativas criadas e o frágil apoio popular vai virar pó, criando um caldo explosivo.

Apesar de uma parte estar ainda encantada pelo canto da sereia do falso messias, e outra parte estar imobilizada pelas tantas desilusões sofridas, a classe trabalhadora não está derrotada!

Resistir é preciso! Construir as possibilidades para derrota desse governo é preciso! É questão de sobrevivência real, de impedir que sejam degradadas ainda mais as condições de vida, de trabalho, de salário, de sobrevivência e dignidade dos trabalhadores e da população em geral, das mulheres, dos negros, dos LGBTIs, dos índios… de cada um de nós!

Leia também: O que esperar do novo governo Bolsonaro?

 

Voto Haddad 13 e peço que você vote também, não anule, não vote em branco, nao se omita nem vote no coiso.

Peço apenas um tempinho de sua atenção porque, face ao momento em que vivemos, a cada dia que passa mais e mais angustiante fica ao constatar que estamos a um passo de uma ruptura democrática sem precedentes que se ampara em uma verdadeira fraude eleitoral por meio de uma campanha de disseminação de mentiras, calúnias e difamações e que encontra eco no sentimento (legítimo até) de repulsa a um partido que governou o nosso país por 14 anos, e que entre acertos e desacertos mais do que frustou, traiu nossa confiança ao se aliar a quem dizia combater e ao praticar muito do que criticava.

Todavia, o que se apresenta como alternativa propõe um programa econômico de cortes de direitos sociais, de direitos trabalhistas e de direitos civis sem precedentes e que, se alcançar o poder, atingirá cruelmente a todos nós, e em especial a grande parcela da nossa sociedade, que é pobre, negra, feminina, além das minorias historicamente excluídas, perseguidas e massacradas.

Não estamos diante apenas de um projeto político autoritário de sociedade, mas de completo desmonte de serviços públicos, de aprofundamento dos cortes nos investimentos em educação, segurança, saúde, habitação, saneamento básico… em detrimento do favorecimento dos grandes empresários, ruralistas e banqueiros.

Avizinha-se, com o programa econômico que pretende impor Bolsonaro, mais crise e potencialmente uma situação de caos social, com aumento da violência alimentado pelo discurso de ódio, homofóbico, racista, misógino, xenófobo de um sujeito e de uma candidatura que despreza os direitos básicos e fundamentais.

Essa violência política já se concretizou em assassinatos, espancamentos, agressões verbais e ameaças amplamente divulgadas, e que não raro nós aqui somos vítimas também. Cabe por um basta nela.

É de seu conhecimento que, particularmente, tenho motivos de sobra para, tanto como muitos, repudiar o PT, por toda nossa trajetória desde a luta pelo Estatuto dos Profissionais da Educação, passando pela nossa greve de 2015 e posteriormente pelas eleições do sindicato dos servidores; no entanto, chegamos num momento em que precisamos ao menos garantir o direito de lutar pelos nossos direitos, e como é de conhecimento geral, Bolsonaro ameaça banir, prender e eliminar os ativistas (que somos todos nós, eu você, e qualquer um que, militando organizados ou não, saímos às ruas para reivindicar melhores condições de trabalho, de salário, educação de qualidade etc).

Por isso, neste momento, sem arredar centímetro que seja de toda a minha crítica ao petismo, escolho votar pela preservação da civilização contra a barbárie que é representada pelo candidato e pela candidatura de Bolsonaro.

Caso vença Haddad, continuarei sendo oposição, continuarei lutando como sempre lutei pelos nossos direitos e por uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária; caso vença Bolsonaro, tb continuarei lutando, porém, a julgar pelas ameaças que este candidato proferiu em toda a sua campanha, no dia da votação do primeiro turno e no discurso do último domingo, sinceramente temo pela minha segurança, pela minha vida e pela vida de tantas pessoas que conheço e conhecemos, pessoas como você, que apenas lutam pelas coisas que acreditam, que fazem greve quando precisa, que é tão trabalhadora e tão ser humano como qualquer um de nós.

Desculpe ter me alongado. Na verdade, não pretendia, mas peço que assim como eu, faça uma reflexão e ajude a derrotar esse projeto nefasto, imensuravelmente muito mais nocivo do que tudo que o petismo possa nos ter feito, ou que possa nos fazer. P

Precisamos recuar um passo, para não retrocedermos 50, 60 anos, tal como pretendido por Bolsonaro. Vidas estão em jogo: a sua, a minha, a nossa e de tantas pessoas… Voto 13, voto Haddad, sem ilusão, mas consciente de que não posso ser conivente com a barbárie anunciada e projetada por Bolsonaro, reconhecidamente admirador de torturadores e de ditaduras.

Deixo abaixo alguns links de notícias importantes para ajudar na reflexão.

Marcelo Gonçalves Siqueira
Diretor Escolar
São Bernardo do Campo

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https://br.noticias.yahoo.com/joaquim-barbosa-declara-voto-em-haddad-pela-primeira-vez-em-32-anos-um-candidato-inspira-medo-135141472.html?

fbclid=IwAR3ZhunNSQX9AHNNJAA4OyRQoKP5OiybJF29xwKmBuGiMEm2z04d2J0dX_0

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https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2018/10/26/distancia-entre-candidatos-cai-e-eleitores-contam-porque-desistiram-de-bolsonaro.htm?fbclid=IwAR2dujAbOzljpcs7dFXFFzoDZpGbnkOPa8uwRWJA9eZNGdicS-d8R0vZZV0

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https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/12/politica/1539356381_052616.html?id_externo_rsoc=FB_CC&fbclid=IwAR3y5HFX7lTQeaiTAEfKV9eE7UfRwOe6Dp8kch39F8CaCVGPlTr_woWW1L8

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https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/arroubo-autoritario-faz-bolsonaro-perder-eleitores-na-reta-final.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR1WpWSumPE_33lBZ0m4nYDsjjhvVV0DoGNiCJWUh2MtsO2rShwFTFpAEtE

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https://brasil.estadao.com.br/blogs/inconsciente-coletivo/budistas-de-verdade-nao-votam-em-bolsonaro/?from=whatsapp&fbclid=IwAR0yXgHYTkNpwUrvzWYTy1GPrS8ecitzDKCSYM8Y-Go4_VcIhzLNaJkfmGc

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https://www.infomoney.com.br/mercados/politica/noticia/7731955/tragedia-e-autoritarismo-economist-e-financial-times-se-voltam-contra-bolsonaro-na-reta-final-da-eleicao?utm_medium=social&utm_source=facebook&utm_campaign=editorial&fbclid=IwAR3QbG4HZjwvtg0moBTf0UJSVBQFcwS20Mx4kGFBgAp8b5exWtrY0wa_DQg

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https://catracalivre.com.br/cidadania/marcelo-tas-declara-voto-a-contragosto-em-fernando-haddad/?fbclid=IwAR2y3lwzIhk7J26898nApGh9BDNRIShI8JV8fvD69METjcxvlP3kgLR88kE

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https://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/editorial/nossa-opiniao-bolsonaro-e-o-pior-que-nos-pode-acontecer/?fbclid=IwAR3fg6uO7UINK16MAFA-HaiNOnIRRCKDfAjPr5akFavpfIwU39pkDuYBix8

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Bolsonaro, na Câmara, elogiou Chávez, Fujimori e Pinochet

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https://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,equipe-de-bolsonaro-quer-cobranca-de-mensalidade-em-universidades-federais,70002557697?from=whatsapp&fbclid=IwAR1sj9LBKVmxzzHOTJCsno9gLutHjzuuMn_bhyvMptsQLdqg16cEWGNT-Uk

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https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/24/opinion/1540394956_656180.html?id_externo_rsoc=FB_CC&fbclid=IwAR1GI6Zc1ViHqtC3aZWNG2W203K-C0UzqYh5LsyEh1bCr37EOd_tQNnkmzM

 

 

 

Noventa e cinco centavos

− Quanto custa?

− Noventa e nove centavos.

Colocou a mão no bolso direito de trás da calça; reparou que estava sem a carteira. Não se preocupou. Com certeza teria caído no banco do carro, como sempre acontecia quando usava aquela calça verde musgo. Enquanto batia as mãos nos bolsos procurando alguma nota perdida, ou moedas do troco da manhã, pensou que não sabia porque ainda usava aquela calça, cuja cor não era das suas preferidas e o pano estava surrado pelo tempo, desbotado de tantas lavagens, ou antes, sabia sim: sentia-se confortável nela, era das poucas que se ajustava bem, não apertava no cós como as demais (e, maior vantagem não existia, podia tirar direto do varal e vesti-la sem se dar ao trabalho de levar ao ferro de passar, o que não era muito de seu costume, pois acreditava que o próprio uso se encarregaria de desamarrotá-las – hipótese em que teimava mesmo que os resultados refutassem a olhos vistos; porém, para seu espírito mais distraído do que prático, isto não era um problema). Sentiu algumas moedas e tirou-as com as pontas dos dedos, uma a uma, transferindo-a para a mão esquerda: dez centavos, cinco centavos, dez centavos, vinte e cinco centavos, outra de vinte e cinco centavos, mais uma de cinco centavos, uma de dez centavos, outra de cinco. Enfiou a mão mais fundo no bolso, apalpou novamente os demais. Era tudo. Entregou as moedas ao balconista.

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Duas tribos

Ela era tão sã e séria que as meninas a invejavam, os meninos a temiam e os adultos lhe duvidavam da idade. Não ter uns parafusos a menos lhe fazia uma falta; um pouco de maluquice lhe faria bem…

Mas aquele verão que estava se fechando para os princípios das águas marcianas seria marcado por muitos contrastes, alguns desassossegos e outros contratempos, a começar pela chegada daquela que em segredo apelidamos de “Sombra”, em contraposição da que um dia fora levada às pressas à administração central e jamais retornou, para nós desaparecida desde então pois, quando perguntávamos, nos respondiam simplesmente com um olhar silenciador.

Sei que algo havia se quebrado – sem recuperação se fora, irrecuperável ficara. De sorte que naquele final de estação, quando uma partiu e a outra chegou – uma sem dar tempo de levantar poeiras e outra sem dar-lhes tempos de assentar –, naquele final que prenunciava novos inícios, velhas e novas idades se cruzando em um cubículo que mal cabiam trinta e quatro mesas, dezessete assentos e quase o dobro de pessoas a lhes ocupar, muitas histórias aconteceriam e nenhuma seria contada – a não ser as histórias ocorridas entre frações de segundos e que, não fosse por capricho do destino e da imaginação que as preservaram na memória, teriam passado desapercebidas ou não teriam sido imaginadas.

Pois é sabido por todo mundo, inclusive por aqueles que fingem não saber: nenhuma história tem mais força e nenhuma é mais real que a história inventada, porque esta cabe em qualquer palma da mão, desde a mais áspera até a que nunca tocou no cabo de uma enxada ou de uma vassoura, nem mesmo quando criança, numa de brinquedo, quando brincava…

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2018

Prometo não dizer nunca;
e de prometer jamais me contrariar
- nunca antes, nunca depois, sempre agora...

Um instante preso dentro de uma garrafa
opaca e sem tampa;
Um instante pronto para ser bebido
até a última gota,direto do gargalo
para a garganta.

Prometo escolher só as palavras erradas
- as mais rotas, irregulares e inexatas
Para que todos os sentidos sejam possíveis,

Para que nenhuma palavra 
seja sentida, mesmo que linda
e tudo seja incompreensível
e ao mesmo tempo cristalino
como o brilho de uma sinapse
em seu ápice,
no instante em que finda.

Prometo não dizer prometo
e não arrancar da pele a flor,
à flor da pele, 
quando exausto,
num silêncio incauto e ao infinito,
soltar um grito em série.

Prometo não dizer mais nada
Prometo não guardar segredo
e ainda (o que à memória agrada)
- prometo não esquecer do medo.

[M.S.]











Vão-se os anéis…

 

O dia que vem chegando,
As palavras que disse sem pensar,
As consequências inevitáveis,
A impulsividade contagiosa de meus amigos..

Somado a tudo isso: a esperança perdida.
Salvar o homem? Para quê?
Ainda assim, persisto - persistimos.

Encontro rostos conhecidos,
Vozes ressurgem na memória...
Gritos - nesse instante silencioso -
Cerram o sono e a paciência.

É preciso ter coragem ou estar louco
Para saber-se a muito e ser tão pouco.

A manhã se aproxima,
Sabemos que o Sol existirá longamente
E que cada manhã vindoura é um dia a mais
De menos paz, de intensa irracionalidade.

Preso neste mar de papéis
A mente convergindo para a incoerência
E essa lembrança triste e serena, trapaceira.

Vão-se os anéis, os dedos...

[M.S., abril/2000]