Sociopatia, pandemias e capitalismo: Entre o socialismo ou a continuidade da barbárie.

“Brasil não pode parar por causa de 5 ou 7 mil mortes, diz dono da Madero”.

Dono da Havan defender cortar salários.

“12-mil mortes em 7 bilhoes é pouco para histeria”, reafirma Roberto Justus

“Essa epidemia simplesmente não existe”, diz Olavo de Carvalho

“Dizem que morreram só 5 mil pessoas”, diz Paulo Guedes sobre coronavírus na China

“Não vai ser uma ‘gripezinha’ que vai me derrubar”, diz Bolsonaro.

Depois de negar racismo no Brasil, presidente da Fundação Palmares nega perigo do coronavírus

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Monstros como esse têm aos montes por aí. Colocam o lucro acima das vidas humanas, com uma frieza calculada. Vermes!
Essa pandemia mostra uma coisa: o capitalismo nunca deu certo!


Para justificar sua manutenção, os sociopatas recorrem até à memória dos que são condenados diariamente, pelo capitalismo, à morte pela fome e pela violência, pelo abandono e pela falta de assistência e de condições básicas de vida.
Não é coincidência que, mesmo entre países capitalistas, os que melhor estão lidando com a pandemia são justamente os que estão investindo fortemente em políticas públicas, no serviço público.
Inversamente proporcional, os que estão afundando cada vez mais seu povo na crise são os que desmontaram ou estão desmontando os serviços públicos.
A pandemia nos mostra, de um jeito triste e trágico, que também não adianta ser a “maior potência econômica e militar” do planeta mantendo a lógica perversa dos lucros acima de tudo.
Da boca de neoliberais mais emperdenidos, das bocas de figuras como Macron e até mesmo de Trump, temos ouvido discursos que sugerem (não que tenham a intenção de fazer, nem que sequer pensam) que é necessária uma guinada nessa lógica.
Não há aqui um pingo de ilusão. De figuras como eles, os discursos são nada além do que a velha política de se livrar dos anéis para não perder os dedos… E o pescoço.
Eles sabem, por exemplo, que por mais riqueza que produza, por mais que revolucione (e revoluciona!) os processos de produção tornando possível produzir o suficiente para alimentar diariamente toda a população mundial e, assim, ninguém mais morrer de fome, o capitalismo jamais possibilitará o fim da fome no mundo.
Somente é possível superar e até mesmo evitar pandemias e crises econômicas cíclicas em uma economia planificada, com os meios de produção socializados, em que o lucro não esteja acima da vida e, por isso, com as relações sociais e o modo de produção voltado para garantir condições dignas de existência e de bem-estar para todos – e não para alguns.
Não estou falando de coisas abstratas. Estou falando de vidas humanas, de viver, de bem viver, de viver bem.
Porém, os capitalistas sabem que no capitalismo a fome, a miséria, o desemprego jamais serão superados, que de tempos em tempos estaremos suscetíveis a pandemias como a do coronavírus.
Fome, miséria, desemprego – juntamente com a super exploração do trabalho humano e a expropriação da riqueza produzida socialmente – são CONDIÇÕES de existência do capitalismo, da obtenção do lucro máximo e das mordomias em detrimento das vidas de seres humanos.
Mesmo tendo consciência de tudo isso, não deveria deixar de ser assustador nem ser tratado como natural que, para salvar o sistema e garantir seus interesses individuais e de classe, suas mordomias e seus lucros, empresários como o dono da Madero, como o “véio da Havan”, como Roberto Justus, banqueiros como Paulo Guedes – o tal “posto Ipiranga” que está aprofundando a falência da economia brasileira e a desigualdade social – e políticos como Bolsonaro chegam ao cúmulo de minimizar a maior crise de saúde de nosso século e tentem (não raro conseguem) jogar as contas das crises nas costas do povo pobre, da classe trabalhadora, da classe média que em geral morre igual barata tonta, pois se julga elite e tem que vender até as cuecas e as calcinhas para manter algum padrão mínimo de condição de vida pequeno-burguesa.
Empresários e políticos como esses e seus gurus “intelectuais” “espirituais” como Olavo de Carvalho e Silas Malafaia demonstram atitudes de sociopatia. Para dizer o mínimo.
Em geral, em muitos aspectos são muito inteligentes – indigentes intelectuais como Bolsonaro e Olavo de Carvalho fogem à regra – mas todos eles certamente possuem em comum a falta de inteligência emocional, de sensibilidade ética, a dificuldade de exercer a alteridade, ou sua completa ausência.
Daí falarem as atrocidades que falam sem sequer demonstrarem o mínimo de vergonha, ainda que determinadas declarações (como as sandice de Bolsonaro e de Olavo de Carvalho) por seu potencial destruidor, principalmente por conta do poder de influenciar não apenas opiniões, mas sobretudo atitudes e comportamentos, deveriam ser tratadas como aquilo que são: crimes.
São pessoas que se julgam cidadãs de “bem”, que expressam, em falas e ações, valores invertidos, decrépitos, e o tempo todo acusam os outros de inversão de valores.
Repara: eles estão entre nós também. Nas nossas famílias, nos nossos trabalhos, nos grupos de amigos reais e virtuais…
Em certa medida (em grande medida!) A indigência intelectual e a corrupção moral e ética dessas pessoas também são doenças geradas pelo capitalismo.
Neste sentido, havemos de superar o capitalismo também me nome da sanidade mental de todos.
Para encerrar essa reflexão, fica uma observação importante:
Veja bem, quando digo “capitalistas” estou me referindo aos detentores dos meios de produção, dos bancos e de grandes empresas. Não me refiro aos pobres de direita nem à classe média – remediada ou da “livre iniciativa” -, nem a pequenos comerciantes e pequenos “empresários”.
Não estou me referindo aos “capitalistas sem capital”. Afinal, ser capitalista não é uma condição ideológica, é sobretudo uma condição de classe, da posição que você ocupa no modo de produção de bens materiais e imateriais, na organização social e econômica.

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Ps: antes que alguns se arvorem em falso moralismo acusando de que as revoluções socialistas foram violentas, fica um alerta: a imagem destacada neste post não foi escolhida por acidente. Ela foi escolhida propositalmente como uma resposta a esse tipo de acusação. Trata-se de uma obra que retrata um episódio da revolução francesa, de 1789, uma revolução burguesa, capitalista.

Sugestão de leitura que elucida como capitalismo começou a se impor como modo de produção predominante:

MARX, Karl. Cap 24 – A Chamada Acumulação Primitiva. In: MARX. K. O Capital: crítica da economia política – Livro I – vol. 2. Trad. Reginaldo Sant’Anna. 22 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. (pg. 827-877)

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