Diretas, Indiretas e Gerais

Alguns amigos têm me enviado convites para assinar petições, compor grupos ou curtir páginas em defesa das “diretas já” para presidente da república.

Lamento desapontá-los, mas não defendo eleições para presidente apenas, muito menos com as regras atuais, que possibilitariam que corruptos e denunciados disputem as eleições na maior cara de pau, como se fossem políticos ilibados. Além de que não acredito em salvadores da pátria.

As tais diretas já para presidente trazem à baila figuras como Lula, Bolsonaro e outros tantos sujeitos dos 28 partidos envolvidos em corrupção, com o prejuízo de manter no congresso e no senado centenas de políticos igualmente envolvidos em falcatruas e comprometidos com projetos e reformas antipopulares e antitrabalhadores.

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Não adianta trocar o presidente – gerente do estado burguês – e manter o congresso e o senado corruptos, assim como não muda nada eleições gerais sob as mesmas regras do atual sistema político, também degenerado e corrupto.

É preciso sim derrotar Temer e as reformas. Tirar Temer do governo e junto com ele todos os políticos corruptos, mas sem que isso represente o retorno do neorreformismo de Lula e de outros partidos da dita esquerda que hoje congregam a frente ampla, ou a ascenção do fascimo tupiniquim representado por Bolsonaro, muito menos do neoliberalismo psdb-demista – todos com os mesmos políticos e partidos aliados voláteis de um ou outro momento.

Também é inaceitável que esse congresso e esse senado de picaretas e corruptos elejam, de forma indireta, o próximo presidente do país.

Todas essas possibilidades continuam atendendo, com maior ou menor simpatia (mas atendem!) os interesses da burguesia, dos banqueiros, das empreiteiras e das empresas de comunicação e de outras grandes empresas que detém o poder econômico e, por consequência, detém o poder político no Brasil. Isso porque são saídas que não rompem com os esquemas de corrupção e mantém sob seu controle o processo eleitoral e a impossibilidade de a classe trabalhadora decidir de fato sobre os projetos e sobre a política que interessa a si.

Todas essas saídas não solucionarão a crise econômica nem tirarão dos ombros dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre a fatura da conta que a burguesia tenta impor com maior intensidade em cima de nós.

É preciso uma saída classista, que rompa com esse sistema eleitoral apodrecido e construa um governo operário para os trabalhadores (portanto, um governo socialista) apoiado em conselhos populares para que o povo pobre, a juventude, os operários e a classe trabalhadora possa decidir diretamente, livrando-se do sequestro político-econômico praticado pelas grandes empresas, pela burguesia e seus representantes políticos da direita, do centro e da esquerda reformista e neorreformista.

Nem a manutenção de Temer! Nem a realização de eleições indiretas ou de diretas já para presidente atendem aos interesses da classe trabalhadora e do povo pobre em geral. Tanto que quanto mais os reformistas e neorreformistas erguem a bandeira do “volta Dilma”, ou do “volta lula”, e quanto mais a burguesia tenta apresentar uma nova figura como a “salvadora da pátria”, mais a classe trabalhadora se afasta e deixa-os falando sozinhos.

O que une a classe trabalhadora e o povo pobre é a certeza de que nenhum desses políticos corruptos e nenhum de seus apoiadores têm condições morais e políticas para representar o país e estar à frente de qualquer projeto político.

Quanto mais a esquerda reformista e neorreformista insiste em ressuscitar das catacumbas figuras como Lula e Dilma, que no terreno da corrupção se mostraram mais do mesmo e praticaram a política de conciliação de classes, tanto mais confusão causam no meio da classe trabalhadora; e quanto mais vendem a ilusão de que a saída da crise passa simplesmente por eleger um novo gerente do estado burguês mais dão munição para a ultra direita apresentar-se como (falsa) alternativa para a saída da crise.

A própria política de conciliação de classes cria uma confusão irremediável, à medida que vende a ilusão de que é possível, nos marcos do capitalismo, apaziguar a luta de classes, ter harmonia entre as mesmas e resolver as contradições e as mazelas que são consequências e condições intrínsecas do capitalismo.

Nem Lula nem Temer! Nem Meirelles, Maia, Dilma, Bolsonaro ou quem quer que seja. É fora todos eles! É fora Temer e fora todos os corruptos!

É greve geral para derrotar todos eles e suas reformas nefastas e construir o governo socialista com os operários e o povo no poder.

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Marcelo Siqueira

Educador e Diretor Escolar

Membro do Núcleo da CSP-Conlutas

dos Servidores Públicos de São Bernardo do Campo

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