O encanto da vida

Ela estava aqui
Agora há pouco
Ao meu lado mesmo
Dentro de mim
Aquecendo
Afagando
A minha fronte.

Em frente:
O livro, a revista
(a entrevista)
vistos pela primeiríssima
vez.

Orgulho do gasto
– que a morte
se aproxima e
serei apenas
cinza.

Nada levarei:
NADA
Na extensão
Da palavra.

Visitei
(revisitei) o velho poeta
– encontro póstumo entre
o existente e o memorável.

Percebi em seus olhos
Que a terra houve de comer
A emoção da lembrança;

Sua voz
Que a terra houve de comer
Continua a rouca, tímida voz;

Suas mãos
Que a terra houve de comer
Garatujam edens eróticos.

Compreendendo minh’á-vida
Procura, como fosse o mundo
Pousou suas etéreas mãos
Sobre o meu condensado ombro

E falou, mineiramente: “Filho,
Sossegue, pois não há criação
Nem morte
Perante a poesia,
O que pensas
E sentes,
Isso ainda não é… Filho,
Descansa a sua mente,
O seu corpo,
Que as palavras, e eu, já morto,
Formamos incorpóreas matizes”.

Foi então que ela voltou
E descansou
Para ser real ao amanhecer.

[M.S.]

 

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