Possessão – Parte I

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Este é o mundo real. E verdadeiramente surreal. Às vezes os bandidos vencem. Suas mentiras, mesmo que todos a conheçam, continuam sendo proferidas com tamanha convicção que chegamos a pensar que é caso para intervenção psiquiátrica. Eles bebem e se fartam – comemoram o sucesso de seus golpes… Afinal, como diz aquela velha canção de rock’n roll, “a história se repete, mas a força deixa a história mal contada”.

No reverso do espelho distorcido em que enxergam nos outros aquilo que eles são, mas que alguns não se percebem e outros fingem não se perceber, talvez até pensem que os outros é que são um bando de safados que fazem um discurso barato a ser desconstruído. Mas isto é só uma suposição, pois é simplesmente impossível saber o que pensam ou que dizem procurando no outro o inimigo que está em si mesmos.

Encastelados no alto de sua arrogância, no mundo ideal em que se acreditam acima de tudo e de todos, num misto de auto bajulação e vã tentativa de se convencer talvez até afirmem a necessidade de desconstruir o medo da sua possessão com toda glória que arrogam merecer. Não que o digam, mas é possível que creem. Afinal, não é nada fácil se apossar daquilo que não lhes pertence, mas que se julgam donos por usucapião. Mal-uso, diga-se de passagem.

Talvez este seja apenas um textão. Que os ratos o comam. As traças o devorem. O tempo o dissolva do papel. Mas as lembranças compartilhadas… Ahhh!… Essas permanecem. E aos poucos vão-se espalhando por entre as pedras lascadas, ainda que indecifráveis a ouvidos e olhos desatentos; ainda que propositalmente fora do contexto só os fortes sobreviverão – Ops! –, só os fortes compreenderão, porque nada disso faz sentido. O importante é que saibam. I, he, she, it, we, you, they… All know! Por que não haveríamos de?!

Nesse mundo real, estamos todos lascados! Pedra lascada! E não há lugar para ficar em cima da pedra. Ou melhor, em cima do muro…

Estaríamos diante de um jogo sinistro entre um bêbado e um equilibrista de copos de whisky cheios de poeira, ou cinzas – ou outra substância de difícil identificação? É preciso perito, ou a bola de cristal do cara do dinheiro para operar uma cirurgia delicada: o milagre da multiplicação – não dos pães nem dos peixes, mas dos nomes. E são tantos! … A cada um, uma nota cujo valor não se pode afirmar, sob pena de fazer corar até a menos pura e nada inocente das criaturas.

Mas, ora, vejam!!! Tá vendo aquele muro? Então… Aquele rapaz sentado ali é ele. Estaria dando milho aos pombos enquanto os outros continuam trabalhando? Que horror! E não adianta nada corrigir, porque mais atrapalha do que ajuda. Deixa como está. Talvez quem sabe no final, mesmo que ninguém acredite na farsa, a farsa dê resultado. Quem se importa se os fins justificam os meios numa sociedade em que a lei é apenas uma questão de interpretação duvidosa? Ou de interesses que se prevalecem acima da verdade…

Farsa e farsantes se misturam. Mesmo que alguns inicialmente se aproximem por ingenuidade, no final se assimilam, porque no fundo se aproximam por uma similitude inconfessável: são joios num saco sem fundo de um jogo de interesses pessoais dos quais possivelmente até se envergonham, relutam, tentam resistir, mas se afogam cada vez mais nas ondas lamacentas de um mar azul marinho. Quem sabe ainda há tempo de lançarmos ao mar as boias salva-vidas. Isto merece destaque! É sempre possível mudar…

Mas o melhor mesmo é vir alguém aqui e mandar todos saírem, fechar os portões de ferro e ficar todos na rua. A segurança do castelo está em risco. O rei está nu e esse monte de carinha diferente pode querer invadir ou acampar, armados com um espelho gigante que faça o rei e seus vassalos enxergarem suas imagens distorcidas e, preocupados com as verdades expostas, dificilmente consigam dormir tranquilos pelo restante dos tempos.

Não se pode permitir tal sacrilégio!!! A profanação do templo! … Alô, manda umas viaturas pra cá! Mas não em nosso nome. No nome dos outros. No nome do outro – o agitador! Afinal, não dizem que quem conta um conto aumenta um ponto? …

Nada disso importa! O importante é salvar o castelo, porque dentro dele dormem as nossas soviéticas, que são muito melhores que os cubanos falsificados deles!!!

[Continua…]

***

Ps: Este é um conto de ficção. Qualquer semelhança com a realidade terá sido mera coincidência?

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