Corrupção, transporte e direito à cidade – II

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Afirmei, anteriormente, que a corrupção é uma via de múltiplas mãos que, paradoxalmente, caminham no mesmo sentido, que é o de almejar vantagens individuais, sobretudo em prejuízo aos direitos alheios – geralmente contra os direitos da população em geral e da classe trabalhadora.

A conta das jogatinas e negociatas realizadas pelos governos comprometidos com a manutenção do capitalismo é sempre repassada para os trabalhadores e a população em geral pagar, o que é feito por meio de aumento dos juros, aumento dos impostos, aumento de taxas e tarifas, aumento dos preços dos bens de consumo, cortes de direitos trabalhistas, cortes de investimentos nas áreas sociais, demissões, desempregos, terceirizações e outras formas de precarização do trabalho, arrocho salarial…

Exemplos típicos de negociatas são os financiamentos de empresas privadas às campanhas eleitorais.

As empresas de transporte, por exemplo, costumam se destacar nos financiamentos das campanhas para prefeitos. Estes financiamentos, ao final, configuram-se como investimentos, pois uma vez eleitos e empossados, os governantes agem em favor dos empresários que os financiaram, aumentando tarifas e fazendo vistas grossas em relação à péssima qualidade do serviço de transporte oferecido, tudo isso para garantir as altas taxas de lucros dos empresários, enquanto a população é submetida a longos períodos de espera nos pontos de ônibus, trajetos extensos, aos incômodos e aos riscos de acidentes graves gerados por veículos superlotados, e não raramente velhos e em condições precárias de manutenção.

A luta contra o aumento das tarifas, que faz parte de uma luta bem maior e que diz respeito ao direito à cidade, é apenas um entre muitos instrumentos que o povo tem para combater a lógica perversa (imposta pelos governos burgueses, que representam os interesses do capital) de jogar nas costas da população e dos trabalhadores a conta das crises que eles mesmos produzem e, apesar de produzi-las, não abrem mão da maximização de seus lucros e de cada vez maior concentração de riqueza em suas mãos.

Por outro lado, ao combater o aumento das tarifas e ao lutar por transporte público, gratuito e de qualidade para todos, a classe trabalhadora combate diretamente uma das múltiplas vias da corrupção que esconde-se atrás do financiamento privado de empresas de transporte às campanhas eleitorais. É uma luta que confronta diretamente os interesses dos capitalistas e dos políticos da burguesia e, por isso, os governos burgueses não hesitam em reprimir brutalmente os trabalhadores, a juventude e a população que ousa manifestar-se em defesa de seus direitos.

Tal repressão é levada a cabo pelo aparato militar e sustentada pelos meios de comunicação que estão sob o controle da burguesia. Por parte do aparato militar, uso de agentes infiltrados que incitam a violência para justificar a ação da própria polícia, prisões indiscriminadas, espancamentos, torturas físicas e psicológicas, uso de balas de borrachas, agressões físicas e verbais, bombas de gás lacrimogênio e de efeito mutilante… mesmo contra manifestantes que absolutamente nada estão fazendo a não ser exercendo o direito e a obrigação cidadã de expressão e manifestação. Por parte da mídia burguesa, a despeito das imagens e milhares de relatos que a desmente, publicação de informações mentirosas e distorcidas a fim de desmoralizar e desmobilizar a classe trabalhadora.

Embora haja os que, por preconceito, falta de informação ou por deformação ideológica, insistem em reproduzir o discurso do ódio contra os próprios trabalhadores e contra a classe oprimida a qual pertencem (principalmente quando a classe trabalhadora vai às ruas lutar pelos seus direitos) a luta contra o aumento das tarifas e em defesa do transporte público, gratuito e de qualidade para todos é uma luta cidadã, progressista no sentido de buscar benefícios em múltiplos aspectos (econômicos, sociais, ecológicos, biológicos etc) a todos os seres humanos indistintamente.

A garantia de transporte público não é estabelecida pela Constituição Federal apenas por ser um direito; antes disso: é um direito por ser – a mobilidade dos seres humanos – uma necessidade básica, cuja efetivação com qualidade é condição para garantia das condições dignas de vida, de saúde e de trabalho dos seres humanos.

Lutar por transporte público, gratuito e de qualidade para todos é, assim, uma necessidade que se impõe no sentido de garantir melhores condições de vida para a classe trabalhadora, a juventude e a população em geral.

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