STF adia decisão sobre reajuste anual do funcionalismo.

O Supremo Tribunal Federal (STF) começou a julgar nesta sexta feira (10/06) um recurso em que servidores públicos pedem reajustes e o relator do processo, ministro Março Aurélio Mello, concluiu que a elevação salarial dos funcionários públicos deve ser anual. O caso ainda não foi concluído porque a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha pediu vista, porém, a prevalecer o voto de Março Aurélio, mais de 10 milhões de servidores públicos terão direito a reajustes anuais automáticos. Ao votar, o ministro fez uma diferença entre aumento e reajuste, citando que não se trata de fixação ou de aumento de remuneração, onde objetiva-se a manutenção do poder aquisitivo. O relator apontou que, ao não conceder os reajustes anuais que estão previstos na Constituição, os governos dos estados obtêm uma vantagem indevida ao ficar com esses valores. O ministro ressaltou que o Judiciário não pode conceder aumento de servidor através de decisões. Essa seria uma competência do Legislativo. Ele citou uma súmula do próprio STF neste sentido. Mas, em seguida, Março Aurélio disse que o tribunal já decidiu a favor da correção da moeda para os trabalhadores. O processo que o STF está julgando envolve várias categorias de servidores públicos, como policiais militares de São Paulo, policiais civis de Londrina, no Paraná e policiais federais de Santa Catarina. Como o STF deu repercussão geral ao caso, a decisão vai servir de orientação para todos os casos que discutem o assunto.

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Fonte: http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2730985/stf-adia-decisao-sobre-reajuste-anual-do-funcionalismo

União gay: tem juiz e deputado precisando de carinho

Por Leonardo Sakamoto, em http://blogdosakamoto.uol.com.br/

Detesto fazer cobranças de apostas em público – até porque o jogo é (oficialmente) ilegal no Brasil – mas gostaria de pedir para separarem meu engradado de suco de manga. Banquei que algum espertinho no Congresso Nacional, de alguma bancada ligada à religião, ia contestar, em menos de um mês, a decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a união estável homoafetiva no último dia 5. E eis que João Campos (PSDB-GO) vai tentar no Parlamento derrubar a decisão dos ministros. Seu pedido foi apresentado em nome da Frente Parlamentar Evangélica.

Não me orgulho em ganhar as garrafinhas, pelo contrário. Preferiria pagá-las mil vezes a ter que ler notícias desse naipe. E olha que já tinha dobrado a dose de Omeprazol desde que, na última sexta, o juiz Jerônymo Pedro Villas Boas anulou uma união estável celebrada entre dois homens e proibiu registros desse tipo em qualquer cartório de Goiânia. O STF terá que, agora, se reunir de novo para fazer valer seu entendimento.

A preguiça que tenho desse pessoal é de um tamanho que vocês não imaginam. Isso sem contar a ação abnegada dos auto-intitulados representantes das forças do universo aqui na Terra para travar a legislação que tornaria crime a homofobia. Querem ter o direito de continuar dizendo que “ser viado é coisa do diabo e, por isso, precisa ser extirpado a todo o custo”, como bem me explicou um ex-comentarista deste blog tempos atrás.

Ah, mas você é cientista político e não defende a separação de poderes e não critica quando a Justiça usurpa a função que deveria ser dos eleitos democraticamente para isso? Sim e não. O país tem uma Constituição que garante direitos iguais para todos, mas no vácuo da inação do Parlamento de efetivar esses mesmos direitos, a Suprema Corte, instada a partir de casos reais sobre dúvidas reais que não podem esperar, deve sim se manifestar. Se algum nobre político reclamar que isso soa como um atestado de incompetência do Congresso, ótimo. Pegue uma senha e entre na fila.

Um casal gay não pode ficar no limbo da cidadania só porque alguém acredita que uma força sobrenatural não gosta de duas pessoas que se amam independentemente se têm pinto ou vagina. Tenho certeza que Deus – se existe – deve tomar Frontal nessas horas para aguentar os argumentos dessa turminha. De certa forma, ele está acostumado, pois é uma forma de Inquisição. Com os evangélicos tendo aprendido bem o modus operandi católico.

“E o meu direito à liberdade de expressão, de poder reclamar dos gays? Você não defende essa liberdade para os maconheiros que marcham?” Desculpe, mas se você está usando esse argumento, peço encarecidamente que procure outro blog. Vai. Mas vai mesmo e não olha para trás para não virar estátua de sal, ok? Não pela sua opinião, que por mais bizarra que seja é sempre bem-vinda neste amável circo, mas pela incapacidade de entender o que estamos discutindo aqui há anos. Que por nascerem seres humanos, todos compartilham do direito à dignidade, que precisa ser garantida a todo o custo e acima de qualquer coisa. Obrigação do Estado que, lembremos, é (ou deveria ser) laico, defendendo a liberdade de culto, mas protegendo as minorias do absolutismo bisonho dos Torquemadas contemporâneos.

Tanto o nobre magistrado quanto o excelentíssimo deputado não lograrão êxito em suas buscas pelas trevas, pela desigualdade e a intolerância. Toda ação gera uma reação, já diria São Newton. Isso já era de se esperar e não irá abalar a decisão. Mas vale lembrar que o dois não são casos únicos, mas representam uma parcela da sociedade que ficou com sangue nos olhos com a decisão do STF. Não digeriram ainda o que aconteceu e devem vomitar por um bom tempo uma série de tentativas de voltar atrás, alimentando o querido Festival de Besteiras que Assola o País, lembrando nosso saudoso Stanislaw Ponte Preta/Sérgio Porto.

Enquanto isso, o que fazemos? Simples, tratamos esse povo como a mesma complacência com a qual se trata uma criança que não entendeu ainda que não pode machucar o amiguinho só porque ele é diferente. Educando, com amor e carinho, um dia vão entender.

Justiça Divina

Por Ludwig Krippahl, no Blog Bule Voador.

Há 20 anos, em Israel, um advogado descrente insultou um tribunal rabínico. Como castigo, foi amaldiçoado para que o seu espírito reencarnasse num cão. Há umas semanas, um cão entrou num tribunal na zona ultra-ortodoxa de Mea Shearim, em Jerusalém. Assustou algumas pessoas e não queria sair, pelo que um dos juízes, rabino, concluiu que seria a reencarnação do tal advogado. Só podia. Então sentenciou o cão a ser apedrejado até à morte, exortando as crianças do bairro a executar a sentença. Mas, ao que parece, o cão conseguiu fugir (1).

Além da demonstrar a ineficácia da justiça divina, este episódio mostra também, de forma sucinta, três aspectos preocupantes da religião. O primeiro é esta atitude de tomar como certa uma especulação infundada. Este rabino não tem forma nenhuma de saber se o cão tem mesmo a alma daquele advogado. Não consegue distinguir esta hipótese de alternativas como ter a alma de outro advogado, de um vendedor de gelados, de cão ou nem sequer ter alma alguma. O segundo é esta fé em hipóteses infundadas justificar actos cruéis, injustos, imorais ou simplesmente estúpidos. Uma vez estabelecido, pela “razão” da fé, que o cão tinha a alma do tal advogado, então toca a apedrejar o animal. Finalmente, infectar as crianças antes que ganhem resistência contra estas parvoíces.

A defesa costumeira é que estes exemplos são extremos, anormais, e que a Religião Verdadeira™ não comete tais erros. É falso. Milhares de milhões de religiosos vivem convencidos de coisas destas. Almas, reencarnação, a inspiração divina de profetas e líderes religiosos ou até o número exacto de pessoas que coexistem na mesma substância do criador do universo. Tudo isto é tão infundado como o diagnóstico do rabino. Milhares de milhões de religiosos usam as suas fezadas para justificar comportamentos imorais, tais como impedir o uso de profilácticos que podem salvar milhões de vidas, discriminar as mulheres, ingerir-se na vida íntima dos outros ou reprimir, por vezes com violência, opiniões divergentes das suas. E todas as religiões se esforçam por impingir aos filhos os disparates dos pais.

A fé de cada um é consigo, mas as religiões são um mal a evitar. A falsa autoridade de quem se diz perito em coisas que ninguém pode saber é, logo à partida, desonesta. O rabino não sabe que o cão tem a alma do advogado, o padre não sabe que a contracepção é pecado e o teólogo não sabe que o seu deus criou o universo. Todos estes mentem ao dizer que sabem quando apenas especulam. E esta aldrabice serve, inevitavelmente, para obter poder e privilégios à custa dos outros.

O problema não é a crença em deuses mas sim nas tretas de quem diz saber como eles são.

1- BBC, Jerusalem rabbis ‘condemn dog to death by stoning’, e Ynet news, Dog sentenced to death by stoning

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Fonte: http://bulevoador.haaan.com/

“Uma história de amor, de aventura e de magia”…

Nota Bem Lascada da Pedra Lascada: “Se podes olhar, vê; se podes ver, repara.” (Saramago)

Gênesis 19:

E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra;

E disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.

E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram.

E antes que se deitassem, cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros.

E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos.

Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si,

E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal;

Eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado.

Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta.

Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta;

E feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta.

Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar;

Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do SENHOR, e o SENHOR nos enviou a destruí-lo.

Então saiu Ló, e falou a seus genros, aos que haviam de tomar as suas filhas, e disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque o SENHOR há de destruir a cidade. Foi tido porém por zombador aos olhos de seus genros.

E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade.

Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e de suas duas filhas, sendo-lhe o SENHOR misericordioso, e tiraram-no, e puseram-no fora da cidade.

E aconteceu que, tirando-os fora, disse: Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças.

E Ló disse-lhe: Ora, não, meu Senhor!

Eis que agora o teu servo tem achado graça aos teus olhos, e engrandeceste a tua misericórdia que a mim me fizeste, para guardar a minha alma em vida; mas eu não posso escapar no monte, para que porventura não me apanhe este mal, e eu morra.

Eis que agora aquela cidade está perto, para fugir para lá, e é pequena; ora, deixe-me escapar para lá (não é pequena?), para que minha alma viva.

E disse-lhe: Eis aqui, tenho-te aceitado também neste negócio, para não destruir aquela cidade, de que falaste;

Apressa-te, escapa-te para ali; porque nada poderei fazer, enquanto não tiveres ali chegado. Por isso se chamou o nome da cidade Zoar.

Saiu o sol sobre a terra, quando Ló entrou em Zoar.

Então o SENHOR fez chover enxofre e fogo, do SENHOR desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra;

E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra.

E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.

E Abraão levantou-se aquela mesma manhã, de madrugada, e foi para aquele lugar onde estivera diante da face do SENHOR;

E olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da campina; e viu, que a fumaça da terra subia, como a de uma fornalha.

E aconteceu que, destruindo Deus as cidades da campina, lembrou-se Deus de Abraão, e tirou a Ló do meio da destruição, derrubando aquelas cidades em que Ló habitara.

E subiu Ló de Zoar, e habitou no monte, e as suas duas filhas com ele; porque temia habitar em Zoar; e habitou numa caverna, ele e as suas duas filhas.

Então a primogênita disse à menor: Nosso pai já é velho, e não há homem na terra que entre a nós, segundo o costume de toda a terra;

Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai.

E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.

E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai.

E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou.

E conceberam as duas filhas de Ló de seu pai.

E a primogênita deu à luz um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas até ao dia de hoje.

E a menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom até o dia de hoje.

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Fonte: http://www.bibliaonline.com.br/acf/1/19

Sobre bullyng, Vygotsky e aposentadoria…

Ainda esta semana recebi um e-mail da amiga Professora Geanete, que trabalhou comigo na EMEB Viriato Correia. Com uma vida dedicada ao magistério público em sala de aula e militância na educação, está na porta da aposentadoria, cuja data tem dia marcado: 2 de julho (dois dias a mais e comemoraria a sua “alforria” com a independência dos Estados Unidos).

Em sua mensagem, que eu tomei a liberdade de publicar neste Blog, Geanete trata de temas pedregosos: bullyng, direitos da infância e adolescência, desigualdades entre escolas públicas e privadas e abordagem sócio-cultural.

Aquilo tudo me inquietou, não só pelo conteúdo, como pela situação toda, pela lucidez e preocupação de quem poderia usar a simples justificativa de que está “de saída” para dizer que não se importa mais com a educação, que não é mais problema seu, e sim dos que ficam…

Afinal, não é este o discurso de muitos de nós, que nem chegamos à metade do caminho, ou mal estamos perto?!… Discursos acalentadores do status quo, tais como: “Eu já fiz a minha parte, agora deixo para os que estão chegando”; ou então (aos que estão chegando): “Você sonha assim porque está começando, vamos ver daqui a cinco anos se continuará pensando desta maneira”…

Bem, pelo visto, os cinco anos da Professora Geanete ainda não chegaram! E desejo que os meus também não cheguem, pois, lembrando Paulo Freire, que aqui vai citado livremente: ai do educador que perde a sua capacidade de sonhar!

Diante do conteúdo e do contexto, aquilo tudo me inquietou; e eu me conheço muito bem a ponto de saber que enquanto não escrevesse algo, a minha mente ficaria soltando faíscazinhas e fumacinhas de curto-circuito.

No entanto, cheio de trabalhos e leituras mais do que atrasadas, tentei resistir o mais que pude. E o máximo que consegui foi até ontem, sexta-feira, quando respondi a mensagem da Professora Geanete, inicialmente lamentando-me por ter chegado numa situação em que não tenho conseguido ler e escrever nada.

Pelos devaneios proferidos por mim, e em comemoração à aposentadoria da amiga, e fazendo jus aos tempos “biguebrodeanos”, torno pública a mensagem que lhe encaminhei, pois então:

“Oi, Geanete! Tudo bem?

Então, aposentou ou não? Gostei da ideia de você ter mais tempo para ler… Gostei porque invejo, com uma inveja boa, esse tempo, sabe… Entrei naquele curso de Pós da USP, em Educação Infantil, e no olho do furacão na Comissão da Educação, e cheguei num ponto em que não consigo ler nem escrever nada – deve ser estafa mental, acho… Tanto por ler e não tenho conseguido me concentrar, mesmo quando sobra tempo…

Gostei também de suas reflexões sobre essa prática terrível que é o bullyng que, a bem dizer, fora o termo (bullyng), não tem nenhuma novidade na nossa terrinha tupiniquim, porque sempre existiu em nossas escolas.

Talvez o diferencial hoje esteja na superexposição gerada pelos meios de comunicação em massa, pelo acesso liberal e certo controle individual (e efetivo controle corporativo, privado) dos meios de comunicação, principalmente a net, em que qualquer um, a qualquer tempo, sem qualquer moderação, posta seus textos, suas fotos e seus vídeos possibilitando a centenas, senão milhares, de outras pessoas o acesso aos conteúdos, inclusive às práticas de bullyng – aliás, pipocam na tv, nos jornais sensacionalistas, vídeos registrados em celulares de agressões sofridas e realizadas.

Não defendo, porém, quaisquer formas de censuras; mas por que não o controle social da mídia como forma de cada um, cada grupo ou corporação, se responsabilizar por aquilo que propaga ou reproduz?

Que tempos são estes em que a miséria humana, a pobreza espiritual, é servida em doses cavalares como troféu de algum indivíduo ou grupo pelo puro prazer da atitude e pela busca da autoafirmação?

Tempos de continuidade do capitalismo, do homem primata, como cantava os Titãs. Tempos da busca do lucro fácil, do enriquecimento veloz, não importando se ilícito, da vantagem pessoal acima do bem coletivo, da superexploração do ser humano pelo outro ser humano. Tempos que, ao invés de nos confrontarmos com a perversidade dos senhores do mundo, dos capitalistas, que em nome da manutenção de suas altas taxas de lucros condenam milhares de pessoas à miséria material e espiritual… Enfim, ao invés de nos confrontarmos com aqueles, questionarmos seus poderes e suas usuras, os admiramos e os invejamos, e sonhamos com o dia em que ocuparemos seus postos…

Afinal, não seria o bullyng uma forma de representação social dessa lógica perversa que o nosso modo de vida (de produção) propaga? Isto é, a primazia do indivíduo sobre o coletivo e dos interesses privados sobre os interesses públicos, a submissão daqueles considerados fora do padrão (e que padrões são esses???) por aqueles que se consideram seres superiores, que se consideram em conformidade com os padrões ou (não sei se pior) que querem impor seus padrões e suas falsas verdades absolutas aos demais…

Em certa medida, a abordagem sócio-cultural, que tem sua origem e sua base no marxismo, foi tomada de assalto pelos neoliberais e pela nova direita (inclusive a neopetista) de plantão, que passaram a fazer uso de uma linguagem pretensamente vygotskiniana, se assim podemos chamá-la, esvaziando-a, porém, de todo o seu conteúdo marxista e, portanto, revolucionário.

Mais ou menos a mesma coisa que fizeram com a imagem de Ernesto Guevara de La Serna, transformado em objeto de consumo, figurando desde estampas de camisetas vendidas em grandes magazines a charutos e bebidas. O capitalismo é assim: assimila em suas entranhas o oposto, transforma-o em mercadoria, e esvazia o seu conteúdo crítico para torná-lo inofensivo.

E é assim também que o capitalismo, sob o pretexto de um suposto jornalismo, transforma em objeto de consumo e, portanto, de lucratividade, as práticas de bulling e as demais cenas de violência do último minuto, banalizando-as e “naturalizando-as”, criando em nós uma camada cada vez mais impenetrável de insensibilidade frente às desgraças do mundo e ao sofrimento humano.

A despeito do que dizia o Che¹, estamos cada vez menos enternecidos e cada vez mais endurecidos, embrutecidos, homens e mulheres de pedras, às vezes lascadas, e na maioria das vezes hipócrita e falsamente polidas.

Não penso que devemos deixar de lado os pressupostos de Vygotsky, as suas contribuições e a sua abordagem histórico-materialista e dialética. Pelo contrário, há que se reafirmá-las radicalmente para confrontá-las com as posições neoliberais na educação.

Creio que é Michael Lowi que argumenta que uma das grandes lutas do século XXI é em torno do embate da simbologia, das idéias, e entendo que ele se referia justamente à necessidade de expropriar da burguesia a linguagem que nos foi saqueada. Assim, devemos reafirmar e retomar o conteúdo revolucionário que foi esvaziado de nosso campo de atuação, a educação².

Mas como fazer isso se mantendo as mesmas condições materiais de existência? Como fazer isso quando em conjunto nos resignamos a reproduzir no cotidiano escolar a lógica dessa máquina do mundo, dessa roda vida que nos rouba tanto os sonhos que tivemos como a nossa capacidade de sonhar?

Creio que, para começar, mantendo essa teimosia que é toda sua; teimosia que lhe faz, no limiar de sua aposentadoria, ainda se preocupar com os rumos da educação, como quem dissesse “a luta continua, companheiros” quando até mesmo o autor desta célebre frase esqueceu o seu conteúdo político e contestador e resigna-se – ele, seus sucessores, apoiadores e aliados – a amortizar a luta de classes sob o jargão da aliança capital e trabalho (quiçá sob os auspícios de algumas benesses que desconhecemos), como se de tal aliança resultasse o fim da exploração do ser humano ou, pelo menos, benefícios mútuos e igualitários.

Que a sua aposentadoria lhe traga tempo para muitas leituras, tempo para muito e merecido descanso e mais tempo ainda para as inquietações que nos fazem indagar, indagações essas que são os “daemons” socráticos que nos impulsionam à vida e pela vida.

Um forte e afetuoso abraço deste seu amigo,

Marcelo”

“Pe-ésses”:

Ps¹: Aparentemente com duplo sentido, pois Che tinha fama de galanteador (obviamente o sentido a que me refiro aqui é estritamente político): “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”.

Ps²: Eu deveria ter escrito: “Assim, devemos reafirmar e retomar o já pouco conteúdo revolucionário que foi esvaziado de nosso campo de atuação, a educação.

Ps2: As primeiras frases da resposta da Professora foi: “Puxa! ainda bem que não está conseguindo escrever!!! rsss Obrigada!

Bullying em debate nacional (já não era sem tempo)

Por Geanete Lavorato Franco, PROFESSORA.

*

Há muito que se debater, mas foi dado um passo e assim caminhamos…

Impossível será recriminar uma criança no uso de pequeno gravador infantil para se defender, mesmo sem saber, do bullying… Se até presidentes cairam por conta das modernas formas de registro como as câmaras dos celulares, das câmaras de vigilância, dos pequenos gravadores?!

Por que em escolas particulares as câmaras de segurança, os celulares, os Walkman (nossa, isso já está ultrapassado, não está?), são permitidos e nas estaduais nem um celular é permitido? Medo do quê? Do que se fala? Do que se faz? Medo do medo? Ou por que os celulares das crianças das escolas particulares são mais impressionantes?

Penso que estamos colocando nossas crianças a reboque dos meios de comunicação porque tememos que eles se voltem contra nós. Sim, assim parece, mesmo que não seja.

Imagine uma filha nossa atacada, roubada  ou mesmo raptada e sem nenhum meio de comunicação para se safar porque a escola não permitiu, ao invés de ensinar e regulamentar o seu uso adequadamente ao meio?

O mundo é outro, bem diferente do de uma década atrás ou melhor, de 1 ano atrás, ou de 5 minutos atrás…

Negar o uso dos meios de comunicação aos outros talvez seja simples (mais ou menos simples), o duro é negá-los aos nossos que estudam e/ou estudaram em instituições particulares onde a preocupação era ou é com os vestibulares chegando, com as gincanas de matemática, com as feiras informatizadas, com as viagens ao estrangeiro de formaturas e tantas outras coisas… Campeonatos, acampamentos inter ou extra escola como a noite do pijama, o acampamento ecológico…

Nem pensar em algo assim no estado, não é?… só no particular!

Que coisa muito chata a idéia do fechamento das idéias dentro da escola pública que anos atrás foi a porta de Paulo Freire, o reduto de Lev Semenovitch Vygotsky  (nov/1896 a 11/junho/1934 ) defensor de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida, portanto sem nenhum tipo de segregação: social, intelectual, econômica…

Em sua obra “A Formação Social da Mente”, ele aborda os problemas da gênese dos processos psicológicos tipicamente humanos, analisando-os desde a infância à luz do seu contexto histórico-cultural. O que pouco estudamos são suas oposições a Piaget (nem eu as tenho claro, talvez venha a tê-las agora que poderei ler com mais tempo e entusiasmo). Porém, tenho alguns pontos claros, uma vez que o seu contexto histórico eu conheço e foi a favor dos camponeses isolados e analfabetos no momento histórico da Rússia socialista de 1917 e com base no materialismo marxista pelo erradicamento do analfabetismo a que estavam submetidos pelos czares.

Mas por que fui até lá? Talvez porque concordo que o contexto histórico social é o grande referencial para a Educação. Então que sou pela igualdade de direito e deveres dos alunos das escolas públicas com os alunos das escolas particulares. Em tudo? Em tudo.

Amigas(os), penso assim e o pensar é livre de leis. Affff! que bom! pelo menos isso. Abraços!

Geanete

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http://noticias.uol.com.br/educacao/2011/06/14/comissao-do-senado-aprova-projeto-contra-bullying-nas-escolas.jhtm

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/921944-apos-bullying-menino-tera-que-lavar-louca-e-patio-de-escola-no-ms.shtml

Quem vai colocar o guizo no pescoço do gato?…

Eu me pergunto até que ponto a direita não se manteve no poder no governo Lula… Os banqueiros continuaram lucrando seus trilhões, as universidades privadas continuaram recebendo recursos públicos, as privatizações mantiveram seu curso, e as terceirizações também, inclusive através das ongs de todos os tipos e matizes, que recebem zilhões para fazer exatamente o que o poder público poderia fazer com menos custo, mais eficiência e mais qualidade.

Não sou a favor do quanto pior melhor, e reconheço que muita gente saiu da pobreza extrema… e isso é bom, claro!

Porém, no capitalismo não importa muito quem governa, importa é quem domina, porque quem domina é que tem o poder, não é mesmo? E, no capitalismo, quem domina é o capital, especulativo e/ou produtivo.

E nesta tal luta institucional quem tem botado o guizo no pescoço do gato continua sendo o capital, seja lá em Brasília, em Sto. André ou em SBC…

Perguntas de um operário que lê

Quem construiu Tebas, a das
sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que
transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras
tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus
obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os
seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu?
Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha
palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em
que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus
escravos.

O jovem Alexandre conquistou
as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um
cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de
Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete
anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma
vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande
homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas
perguntas

[Bertolt Brecht]