Sobre pedras, pessoas e sonhos

(Salvador Dalí)
 
Nota da Pedra Lascada: Claramente inspirado em um texto de Paulo Freire e no título de um livro de Sônia Kramer (“Por Entre as Pedras: Arma e Sonho na Escola”), o texto que segue abaixo foi retirado da apresentação do Projeto Político-Pedagógico de uma escola. Eu sei que alguns vão criticar, dizendo tratar-se de uma visão romântica da educação (o que tem um fundo de verdade), que a escola – principalmente a pública – é feita mais de pesadelos do que de sonhos (o que também não deixa de ser verdade), que o sonho acabou ou nunca existiu, que tudo é um desvario, que a escola é um projeto fracassado ou, antes disso, que é bem eficiente enquanto projeto de reprodução da ideologia burguesa e consequente dominação de classe (o que tem lá seu fundamento)… Enfim, tem ranzinza pra tudo nesse mundo (muitos com uma boa razão para ser)!. Ainda assim, a escola também tem esse lado do sonho, feérico mesmo, por que não? Isso também é importante. Mário Quintana, com toda a sua simplicidade e sabedoria, resumiu essa importância assim: “Sonhar é acordar-de por dentro”. Sem mais palavras, vamos ao texto! (M.S)
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“Uma Escola é feita de areia, cimento e pedra. Com uma boa pintura, um ajuste aqui e outro ali, um forro, um telhado trocado, um pouco mais de iluminação, mais colorido… A escola até fica bonita. Depois, nas salas de aula a gente coloca carteira, mesa, armário, ventilador, cortinas… Monta uma sala de brinquedos e coloca um monte de brinquedos; faz uma biblioteca, enche de livros, instala computador com acesso à internet e cd com jogos educativos… Se o parque fica pequeno e o terreno é irregular, a gente conserta, troca brinquedo velho por brinquedo novo, acrescenta mais um caminhão de areia, reforça o muro e tapa os buracos… Faz isso, faz aquilo…  E mais isso, e mais aquilo… Mas isso ainda não é uma Escola – é um prédio com equipamentos e certa estrutura!

Uma escola é feita de gente; gente como eu e como você, adulto ou criança… Adulto e criança!… Do choro e do riso de cada um, do sonho e do trabalho de cada um – dos profissionais (todos educadores) que nela atuam como professores, cozinheiros, auxiliares de limpeza, oficiais de escola, diretor, zelador, coordenador, professor de apoio à direção, jovem da turma cidadã, orientador, psicólogo, fonoaudiólogo… Dos pais, das mães, das avós, avôs e tias, tios… Das vizinhas que nem têm filhos na escola, mas ajudam outras famílias trazendo ou buscando as crianças e, de vez em quando, dão uma passadinha por ela, nas festas, ou para saber como as coisas vão indo…

Uma escola não é um amontoado de salas, corredores, pátios, quadras… Não é simplesmente um lugar onde fica um punhado de pessoas aprendendo um punhado de coisas que pensamos ser importante para quando elas – as crianças – crescerem. A escola (digam o que disserem)… Nós somos a escola; e a Escola é, ainda: as relações que estabelecemos uns com os outros; os laços que construímos; os nós que, juntos, desatamos; as nossas vivências construídas e compartilhadas no dia-a-dia…

Cada membro da comunidade escolar faz parte desse grande sonho da humanidade que é a Escola. A escola é isto: a escola é feita de sonhos!”

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