Cala a boca, Ana Maria

Nota da Pedra Lascada: Da “série” Utile Dulci, mais um texto reencarnado, que havia sido publicado em  15 de julho do ano póstumo (acho que hoje estou meio mórbido rs) – [M.S.]

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Não demora, começarão a dizer que eu sou o ranzinza do pedaço. E não é pra menos, porque ultimamente nem eu estou aguentando as minhas cricrizagens.

 
Essa história do “Cala a boca” já virou um jargão e também logo, logo ninguém vai aguentar ouvir “cala a boca daqui”, “cala a boca de lá”… Até havia pensado em lançar uma seção nada original com esse título (Cala a Boca), mas tive a sanidade de não levar essa má ideia adiante.

 

De qualquer forma, ainda com o risco de ser vítima do meu próprio veneno, não prometo que essa será a última vez que direi… Enfim, até o Saraiva do clássico “pergunta idiota, tolerância zero” foi ressuscitado, por que eu – humilde desconhecido – haveria de me omitir logo agora em que as cretinices e charlatanices pululam nos programas de entretenimento em seus momentos pseudo-jornalísticos. Quer dizer, temos de reconhecer que isso não é de agora; é desde sempre e muito provavelmente vai até o fim dos tempos.
 
Mas é só surgir uma tragédia para que os carniceiros de plantão explorem ao máximo cada detalhe do acontecimento para alavancar o ibope e, assim, maximizar suas margens de lucros, transformando inclusive programas culinários em plantões jornalísticos e espaços para entrevistas com os envolvidos – e são nesses momentos eufóricos que as pérolas se multiplicam! E como!
 
No fato em questão, no entanto, há que se reconhecer que não se trata de mais uma “carniceira de plantão”, muito pelo contrário, pois essa alcunha lhe seria extremamente injusta, mas, como dizem que quem está na chuva é pra se molhar, quem trabalha na Globo é pra dançar o jogo dos abutres, senão não sobrevive na cadeia alimentar.
 
Daí que, como não poderia deixar de ser (até poderia, mas o PIG mantém sua tradição oportuno-sensacionalista), o assunto do momento (o desaparecimento e provável assassinato de Eliza Samudio) foi abordado hoje no Programa “Mais Você” com uma entrevista com um veterinário, que respondeu sobre a possibilidade de se descobrir se pedaços da mulher foram dados aos cães.
 
Conversa vai, conversa vem, Ana Maria perguntou se não era possível descobrir isso através do exame das fezes dos animais; e o veterinário falou que somente se algum cão estivesse “impactado”, ao que a nossa entrevistadora, com uma humildade que lhe é sem dúvida característica (ao menos na frente da telinha), perguntou o significado desta expressão.
 
O veterinário, senhor muito educado e prestativo, sem graça para dizer diretamente, rodeou, rodeou, deu a entender do que se tratava e nossa heroína matinal foi ao seu socorro, oferecendo-lhe uma saída – por assim dizer – honrosa: “quando o cão não consegue ir ao banheiro?”
 

Cá pra nós, em que pese a gentileza da atitude, essa coisa ficou meio esquisita, ou melhor dizendo, esquisita e meio. Talvez a cachorrinha dela consiga, por ter nascido em berço de ouro e ter sido adestrada  (ou seria educada?) no mais alto padrão de fineza e etiqueta… Mas cachorros que vão ao banheiro?! Pra mim é novidade.

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