A Geração Fast Food e a “Fast Education”

 Por Adelita Martinez*

Aprenda Inglês em 30 horas. Prepare-se para o vestibular em 2 meses. Seu diploma Universitário sem sofrimento e em menos de 1 ano.

Aposto que você já viu ou ouviu anúncios deste tipo em sua cidade, não? Facilidades, preço baixo e rapidez.

Até concordo que em feiras de produtos para qualquer outra finalidade que não educacional, eu me interessaria nesses anúncios. Mas como isso pode ocorrer no setor educacional é o que venho me perguntando ultimamente. Que mágica é essa? Será que os alunos tomam algum tipo de comprimido antes das aulas, que potencializa a habilidade de aprender?

Confesso que nunca liguei atrás para me informar…Talvez porque como educadora sei que não existem milagres deste tipo! Como também nunca liguei para construtoras que anunciam “Adquira seu super apartamento por pequenas parcelas ao mês”. De duas uma: ou as parcelas são realmente baixas mas você ficará pagando o imóvel por uns cem anos, ou então o imóvel é uma furada tão grande que eles estão praticamente dando para o prejuízo ser menor!

Mas acontece que temos pressa. Hoje em dia todos tem pressa. Se não tem lugar para estacionar na frente da padaria, sigo em frente pois no outro bloco tem a concorrente que tem lugar para estacionar. Se o supermercado tá com fila grande, saio e ando mais meia quadra pois na esquina tem outro com mais caixas e poucas filas. Preço? Não interessa. Tenho pressa. Em quantos dias meu medicamento vai ficar pronto? Pois quero para hoje. Não me interessa se vai ficar bom ou não! A farmácia da frente faz pra hoje então é pra lá que vou.

Você já se viu em alguma dessas situações? Pois bem, as redes de comidas que chamamos de Fast food surgiu justamente para esse público apressado. Comida rápida, que muitas vezes você não precisa nem descer do carro e hoje já contamos com diversos “Fast Services” como farmácias, floriculturas entre outros.

Até aí tudo bem, pois confesso que às vezes é muito bom você não ter que descer do carro, principalmente quando você está com seus filhos ou morrendo de pressa. O problema é que essa pressa está contaminando outras áreas e esse fenômeno que citamos no início do texto, demosntra exatamente como a área educacional vem sendo contaminada pela pressa e imediatismo das pessoas.

Não podemos generalizar, mas que existem sim escolas que burlam as regras e “facilitam”a vida do aluno, isso existe! Você seria capaz de dirigir um carro sem nunca ter sentado dentro de um? Por mais instinto e leitura que você faça a respeito, somente a prática e a teoria em conjunto proporcionaram o click que chamamos aprendizado.

São muitas as instituições que estão fornecendo cursos profissionalizantes rápidos e barato, mas será que são realmente eficazes?

Vou falar especificamente da minha área. O Inglês. Leciono aulas na Educação infantil em uma escola Internacional onde falamos inglês o dia todo.

Muitas vezes, em conversas ou situações profissionais, as pessoas dizem pra mim que possuem um nível de Inglês avançado e que já estão no livro tal de tal escola.

Quando tento trocar meia dúzia de palavras em Inglês com a pessoa, começam as desculpas: nossa eu tô enferrujado! Nossa entendo tudo mas travo na hora de falar! Nossa, tô cansado demais pra pensar em inglês! Sabe, seu Inglês é americano e aprendi o britânico! Bom, essas são algumas das muitas que já ouvi. E não de uma mas de diversas pessoas!

Pessoas que passam anos a fio estudando Inglês e não aprendem! Imagine conversar com uma que estudou numa dessas milagrosas escolas que ensinam tudo em horas?

Pense em alguma coisa que você sabe fazer e faz bem. Cozinhar, por exemplo. Ou você sabe ou você não sabe. Quem sabe faz em casa, fora de casa, na casa de amigos. Agora, quando alguém se gaba que sabe cozinhar muito bem, você pede para a pessoa fazer alguma coisa e começam as desculpas do tipo: Putz, só sei fazer com a panela tal! Ou então, a marca do arroz que uso não é essa! Pode ter certeza que foi propaganda enganosa! Quem realmente sabe e quem realmente aprendeu faz, independente de fatores externos!

A Educação, assim como qualquer outra área, tem sim etapas e limites mínimo e máximo no seu processo de construção.

Duvide de um prédio construído em um mês. Duvide de um método que ensine tudo em um mês.

Por mais que você seja dedicado e estude somente aquilo, o nosso cérebro tem um tempo para assimilar as informações e processá-las.

Até agora escrevi pensando num público adulto. Agora imagine o que não passam as crianças com tudo isso.

Alguém um dia falou que a criança aprende muito rápido, então alguns pais inscrevem seus filhos nesses cursos e cobram deles resultados que fisicamente, emocionalmente e…. realmente eles não conseguiram apresentar! Não por serem incompetentes, mas simplesmente por estarem em outra rotação, outra velocidade.

Essas crianças se sentem frustadas, pois além de não terem prazer no que estão estudando, os pais cobram que pagam o curso e que elas não sabem falar nada. Daí muitos traumas com relação ao Inglês e outros.

Não existe uma FAST EDUCATION. Por mais rápido que as crianças dessas novas gerações aprendam, temos que respeitar o ritmo delas, pois quando sobrecarregadas, essa rapidez pode ter um efeito nada bom no futuro.

Pular etapas e facilitar as coisas para agilizar um processo de aprendizado, comprometerá habilidades que teriam que ser trabalhadas no decorrer desse processo.

Vamos ser mais rigorosos com relação a educação que queremos ver nas ruas de nossas cidades. Se não houver procura, não haverá cursos que não sejam bons.

Seja crítico, cobre mesmo pela qualidade de ensino em qualquer instituição que estiver. E principalmente cobre professores qualificados. Só assim a educação será de fato de qualidade.

– – –

*Licenciada em Pedagogia pela UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (UNESP), especializada em Administração Escolar, com Pós-Graduação em Psicopedagogia (Universidade Tuiuti), Curso de Cultura Americana e Inglês pela Long Island University, Nova York. Professora de Educação Infantil (Toddler) na Escola Internacional de Curitiba. Diretora da APPLY assessoria Pedagógica.

Fonte: http://www.artigos.etc.br/geracao-fast-food-fast-education.html/comment-page-1#comment-831

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