Salamargo

Salamargo é o pão de cada dia;

pão de suor, amargonia.

Armargura por viver nesta agonia,

salamargando a tirania.

 .

Salamargo é o tirano, segundo a segundo

Amargo sal que salga o mundo.

Assassino das manhãs, carrasco das tardes,

ladrão de todas as noites

e de seu mistério profundo;

carcereiro de seu irmão, a transmudar

a fantasia em noite de alcatrão.

 .

Amargo é fado de nascer escravo,

amargonauta em mar de sal,

nesta salsa-ardente  irreal em que cravo

unhas e dentes, buscando viver

como um cravo entre decadentes.

 .

Salamargo, tão amargo quanto

o mais amargo sal, é comer

o pão de cada dia sob o tacão

da tirania. Um pão amargo,

sem sal, pobre de amor e fantasia.

Salamargo existir sem poesia.

 .

(Eduardo Alves da Costa, in_No Caminho, Com Maiakóvski. 2003)

Só pra constar…

Por Marcelo Siqueira

Ainda que seja simbólica, não é pouca coisa a vitória de uma mulher nas eleições para presidente do Brasil. Mas essa é uma análise que precisarei aprofundar, ler muito mesmo pra poder dizer alguma palavra inteligível que seja.

Todavia, sabe-se que mais do que cor ou gênero, ou origem de classe, o que conta no final das contas é o posicionamento de classe, isto é, a questão econômica, os compromissos assumidos com a manutenção ou a superação do status quo, da ordem vigente.

Pelo que vi do primeiro discurso de Dilma, em 31 de outubro, nenhuma novidade  se aproxima. Espero que não seja bem assim, embora não tenha ilusões…

É duro dizer, mas, comparando com o que poderia ser (José Serra na presidência), saímos na vantagem. Oxalá!