Governo lança novo pacote de maldades! – 1

Tem pra todo mundo, menos para políticos, grandes empresários, juízes e militares de alta patente (para estes, a boquinha só cresce)!

Dias depois de aprovar a famigerada reforma da previdência – que na prática acarreta o fim do direito à aposentadoria para a grande maioria da população pobre e trabalhadora –  e dias depois de aprovar a cobrança de imposto sobre férias e 13º de acordo trabalhista, o governo Bolsonaro lançou hoje um pacote de maldades que, se aprovado, vai prejudicar ainda mais a vida da população mais pobre e trabalhadora.

Entre outras medidas, que atingem todos os trabalhadores brasileiros, o pacote mexe com o financiamento da saúde e da educação públicas, veda reajuste real do salário mínimo por dois anos, diminui para a metade (de 40% para 20%) as multas do FGTS que as empresas têm de pagar ao trabalhador por demissão sem justa causa e condiciona a efetivação dos direitos sociais (isto é, educação, saúde, segurança públicas etc) à situação financeira.

Tudo isso para continuar garantindo o pagamento da dívida pública. Continuar lendo Governo lança novo pacote de maldades! – 1

Servidor público concursado sim, com muito orgulho! Fora Bolsonaro, Mourão, Paulo Guedes e cia.

Olha a canalhice do ministro da destruição econômica Paulo Guedes!!!

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, em matéria publicada neste dia 05 de novembro (LEIA AQUI)   o governo Bolsonaro está apresentando um projeto para acabar com o direito de estabilidade dos servidores públicos, querendo também impedir o direito constitucional de filiação partidária e manifestação política de servidores públicos, o que é uma proposta claramente persecutória, fascistóide e ilegal – tudo isso no mesmo dia em que o autoritário e paranóico Bolsonaro, em entrevista, afirmou que nunca houve governo mais democrático que o dele. Ainda segundo o jornal,

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Sou servidor público concursado! Tenho orgulho do meu trabalho e o faço com a maior dedicação, trato crianças, famílias e colegas com a educação que desejo que me tratem. Viro noites quando precisa para agilizar as ações, levo serviço para casa e, se colocar na ponta do lápis, trabalho bem mais de 40h semanais.

O salário que recebo não chega aos pés do tamanho da responsabilidade que tenho, dadas as minhas atribuições e as competências exigidas, e que são necessárias.

Não, ministro de um governo vira-lata! Ser servidor público concursado não faz a mim, nem a nenhum servidor público concursado, um chutador de pessoas, um maltratante. A autoridade que tenho em meu cargo não foi conferida por nenhum político em governo provisório como é o seu caso. A autoridade que tenho vem da competência, do compromisso e da relação de confiança que construí e construo no cotidiano do meu trabalho, nas relações que tenho com colegas e com os munícipes! Mais que uma autoridade formal, é uma autoridade moral – coisa que sem dúvida lhe falta, Paulo Guedes!

É justamente por posicionamentos rastejantes como o seu e de seu governo lesa-trabalhadores, governo de desmonte dos direitos sociais e trabalhistas, de desmonte dos serviços públicos dos quais dependem a classe trabalhadora e a população mais pobre… É justamente por conta de políticos como os que estão aí neste governo que cheira à podridão e à morte, que a estabilidade do servidor público se faz necessária, porque serviço público deve ser política de ESTADO e não de governo.

É para garantir a continuidade dos serviços públicos que existe a estabilidade do servidor público, pois os serviços públicos não podem ficar à mercê de políticos estelionatários que governam para os grandes empresários que os financiaram e ao chegar ao poder tentam destruir o que foi construído só porque não foi construído por si mesmo e, quando perdem eleições, tentam deixar um terreno de chão devastado para o sucessor.

Marcelo Siqueira

#forapauloguedes
#forabolsonaroemourao

Gestão escolar militarizada é medida populista eleitoral. Escola precisa é de investimentos!

Há dois dias o site da Prefeitura de São Bernardo publicou uma matéria a respeito da adesão ao Programa Creche Escola e à implantação de escola militar na cidade.

Segundo a matéria, o prefeito teria afirmado, entre outras coisas, que a “instalação de uma Escola Militar na cidade é uma ideia que nos agrada, seja por meio do governo Federal ou pelo governo do Estado. Estamos bem próximos de ter uma parceria para implantar este modelo em nossa cidade. Ainda estamos em fase de estudos. Para avançarmos no tema vagas em creche, viemos discutir a viabilidade de incluir nossa cidade no programa Creche Escola. Nossa administração tem feito sua parte, com a reorganização na gestão de vagas, e na geração de mais de 3.200 vagas. Mas é preciso fazer mais”.

Chama a atenção a afirmação de que a prefeitura está próxima de implantar um modelo de gestão escolar que nem de longe passou por discussão com os profissionais da rede municipal de ensino – ainda mais em um momento em que a própria Secretaria de Educação criou uma organização de trabalho agregando, como instância consultiva (e que, sem dúvida, amplia os necessários canais democráticos), um comitê gestor constituído por profissionais da educação da equipe técnico-pedagógico, como diretores escolares.

*

Para ler o artigo na íntegra, visite SOMOS TODOS EDUCADORES.

Patrulhamento ideológico em SBC! Fascistas, não passarão!!!

No último dia 31 de outubro, na E.E. João Ramalho, ocorreu uma palestra com o tema Direitos Humanos, ministrada por um vereador da cidade e promovida por uma professora desta escola. como parte do conteúdo programático que compõe o currículo escolar.

Algumas pessoas, que se apresentam como um movimento de “direita” (na verdade, de extrema ignorância), se aproveitando do clima de perseguição ideológica e apologia à idiotice patrocinadas pelo governo Bolsonaro, de forma oportunista passaram a atacar a professora, acusando-a de “doutrinação ideológica” e exigindo punição à educadora, como se alguma irregularidade ou algum crime ela tivesse cometido. Continuar lendo Patrulhamento ideológico em SBC! Fascistas, não passarão!!!

TV São Bernardo publica informação falsa sobre escola da rede municipal de São Bernardo do Campo. Exigimos retratação!

Reproduzimos a seguir a NOTA DE ESCLARECIMENTO feita pela nossa brilhante e competente colega Cristiane Oliveira, diretora escolar da EMEB Florestan Fernandes, a respeito de matéria com informações falsas, veiculada pela TV São Bernardo. Nos solidarizamos com a escola e exigimos que a TV São Bernardo se retrate publicamente!

Leia o texto na íntegra em SOMOS TODOS EDUCADORES.

 

 

Fora do tempo

Sem o susto de cada dia o homem não vive.

Não pode com a certeza do fim ou de um recomeço sem tréguas,
Com o imediato silêncio no instante que chega - e passa,
Com o sopro do vento que traz uma gota de chuva,
Com a maneira certa de falar ou de se portar à mesa...

Não pode com isso, muito menos com aquilo.

Com uma fonte de desejo à frente e uma moeda que falta,
Com o futuro que se esgarça a cada ação planejada
- como areia que se esvai numa intenção esquecida.

O homem não pode consigo.
Vê a estreiteza das rochas e insiste no naufrágio,
Abandona-se à sorte para deleitar-se com a paisagem.

Quando se dá conta, já foi, sem nunca ter sido.
                                         [M.S.]

CSP-Conlutas manifesta total apoio à Greve Nacional da Educação em 15 de maio

A preparação da Greve Nacional da Educação, no dia 15 de maio, contra a Reforma da Previdência e os ataques do governo Bolsonaro ao setor, receberá o apoio de outras categorias. A decisão foi tomada pelas Centrais Sindicais que estiveram reunidas na tarde desta segunda-feira (6), em São Paulo. A ação será o esquenta na preparação da Greve Geral contra Reforma da Previdência em 14 de junho.

 

 

A reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, realizada no final de semana em São Paulo, já havia aprovado por unanimidade, no domingo (5), que a greve da Educação contará com toda a solidariedade e apoio ativo das categorias ligadas à Central.

As diversas categorias de trabalhadores e movimentos serão orientadas a divulgarem os ataques à educação e abordarem o tema nas panfletagens, assembleias, atos e outras ações.

Acesse os materiais da CSP-Conlutas

Artes de cartaz, viral, capa de face e o chamado ao apoio à mobilização da Educação

https://bit.ly/2Lw01g7

A greve da Educação

O presidente Jair Bolsonaro e seu governo querem destruir a Educação Pública brasileira. Alegando “balbúrdia”, o MEC anunciou inicialmente um corte no orçamento de 30% de três universidades que, segundo o ministro, promoveram atos com personalidades de esquerda. Posteriormente, o corte foi estendido para todo o ensino superior e também para o ensino básico.

Frente às medidas de cortes contra a educação, os estudantes, docentes, professoras e professores do ensino básico e técnico, juntamente com servidores e técnicos administrativos iniciaram inúmeras mobilizações pelo país como, por exemplo, no Colégio Pedro II –RJ, na UFPR (Universidade Federal do Paraná), UFBA (Universidade Federal da Bahia), entre outras instituições de ensino.

A greve da educação é uma resposta a todos os ataques que a educação pública vem sofrendo. Também é uma resposta à Reforma da Previdência do governo Bolsonaro, que prejudicará principalmente o setor do ensino básico, aumentando de forma perversa em mais dez anos o tempo para o professor(a) aposentar.

Como parte dessa mobilização, nos dias 8 e 9 de maio ocorrerá um processo de mobilização em defesa das Ciências e Tecnologia e denúncias contra o Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação (Lei nº 13.243/2016) e da EC 95/2016.

É importante defender a educação pública, gratuita e de qualidade. É necessário defender as liberdades democráticas e de cátedra nas escolas e universidades e contra a Escola sem Partido. Vamos exigir o fim da militarização e a violência, fora a PM das escolas. Precisamos denunciar o racismo, machismo e LGBTfobia que estão sendo incutidos nas escolas. É preciso cobrar a reposição das perdas salariais e aumento de salários aos profissionais da educação e contra os cortes de verbas, 10% do PIB para Educação.

O governo Bolsonaro deve retirar verbas dos banqueiros e parar de pagar a ilegítima e ilegal Dívida Pública e não tirar recursos da Educação.

Todo apoio à Greve Nacional da Educação em 15 de maio!

*

Fonte: CSP-Conlutas

Somos todos educadores e todas as mães são especiais

Fatos irrefutáveis, embora existam os que neguem a realidade:

Somos todos educadores –  Família educa, escola educa; família ensina, escola ensina; família cuida, escola cuida.

Educação, ensino e cuidados são responsabilidades a serem compartilhadas entre família, Estado e sociedade (sendo a escola pública parte do Estado). A educação escolar deve ser complementar à educação familiar – estes são princípios básicos presentes desde a Constituição Federal, passando pela LDB, Estatuto da Criança e do Adolescente e absolutamente toda legislação educacional brasileira.

Tais princípios são previstos em toda legislação educacional por um simples fato: educação, ensino e cuidados são indissociáveis, constituindo o processo de formação humana, de apropriação e construção de saberes e transmissão de conhecimentos historicamente construídos pelos seres humanos.

Pode-se ter opinião diferente e oposta. Tanto faz. Opiniões não mudam os fatos, pois não se ensina sem educar, não se educa sem cuidar. E vice-versa ad infinitum.

Opiniões são opiniões; princípios são princípios. E princípios não se negociam, já dizia Engels (sim, um dos fundadores do socialismo científico, junto com Karl Marx).

A Terra não deixará de ser redonda porque alguns, refutando irracionalmente todas as comprovações científicas, acreditem que seja plana. Não passaremos a levitar livremente no espaço porque há os que pensem que a Lei da Gravidade é uma invenção e não um fato. Tampouco ressuscitarão os milhões de pessoas assassinadas pelo nazismo porque pervertidos neguem o holocausto; nem o nazismo e o fascismo deixarão de terem sido historicamente movimentos de extrema direita a serviço do capitalismo porque idiotas afirmam que foram de esquerda, socialista ou comunista, assim como o golpe militar  não deixará jamais de ter sido ditadura só porque uns sádicos romantizam a tortura.

Outro fato irrefutável: todas as mães são especiais – senão as biológicas, com certeza as que exercem papel semelhante.

Mais um fato irrefutável: independente da crença individual que cada um tenha sobre o que seja uma família;independente de alguém acreditar, por exemplo, que família seja um núcleo de pessoas constituído por pai, mãe e filh@(s), há uma diversidade de composições familiares que não se ajustam aos nossos conceitos… muito menos aos nossos possíveis preconceitos.

Já dizia Lênin (sim, o líder da Revolução Soviética), aqui livremente citado, que a realidade é mais rica do que qualquer teoria (o que nem de longe se pode interpretar como desprezo pela teoria, é bom alertar).

Todas as mães são especiais – este é o imaginário social que construímos do papel da figura materna. É assim que desejamos que seja, ainda que no campo dos sentimentos algumas mães sejam mais especiais que as outras – e ainda que a realidade nos mostre que existem mães e mães.

O filho que sou coloca no altar das especialíssimas a mãe que eu tenho. E aqui não entra uma disputa de opinião – é apenas o coração falando, sem desconsiderar que para outros filhos e outras filhas, suas mães sejam tão especiais quanto a minha.

Não à toa, o Papa Francisco, num dos não raros arroubos de sensatez que lhe tem sido peculiar, declarou que “não existe mãe solteira, mãe não é estado civil“. Mãe é mãe. É primeiramente uma condição biológica e é uma construção social.

Todas as mães são especiais – sejam mulheres solteiras, sejam mulheres “casadas”, sejam mães de filhos únicos, sejam mães de filhos “especiais”. Para as mães – assim também diz o nosso imaginário social – cada filho é único e é especial, independente de suas necessidades e de suas condições biológicas, físicas, cognitivas ou psicológicas.

Todavia, a opinião ou o sentimento que cada mãe possa ter a respeito de seu ou de seus filhos não mudam os fatos. Os fatos são irrefutáveis: também os filhos são diversos e diversas são as características e as necessidades. Alguns, por suas peculiaridades, para que possam ter acesso o mais pleno possível às aprendizagens que lhe são igualmente de direito e que possam se desenvolver em toda sua plenitude e potencialidade, necessitam cuidados especiais, inclusive educativos.

Mas seria possível criar uma lei que desse um status de “especiais” a algumas mães  e a outras não? No terreno das possibilidades políticas, tudo é possível…

Digamos que a hipotética lei viesse a se chamar “Special Mothers” (ou “Mães Especiais”, já que estamos no Brasil), e conferisse a “prestigiosa” oportunidade de, na escola, apoiar seu filho com necessidade educacional especial na turma em que esteja matriculado; que ainda fosse de alguma forma remunerada para realizar este apoio e que (previamente ou durante?) recebesse uma certa qualificação “profissional” (para exercer uma “profissão”  inexistente – a de mãe – e a qual nem mesmo os profissionais contratados para atuar nesse apoio têm garantia de recebimento externo).

Bom? Ruim? À primeira vista lhe parece encantador?

Afinal, não somos todos educadores? Afinal, educar, cuidar e ensinar não são responsabilidades que devem ser compartilhadas entre família, sociedade e Estado, devendo a educação escolar ser complementar à da família? Ademais, não seria esta uma forma de “solucionar” o grande gargalo de falta de profissionais de apoio educativo, efetivando uma forma de “parceria” direta entre escola e família?

Sim, somos todos educadores. Sim, responsabilidades devem ser compartilhadas e a educação escolar é complementar à educação da família. Sim, educar, cuidar e ensinar são indissociáveis e as parcerias entre escola e família precisam ser efetivas.

Observemos mais de perto, passemos a vista uma segunda vez…

É preciso compreender que escola e família educam, mas possuem – e precisam preservar – suas especificidades, pois têm naturezas distintas e exercem papéis distintos no processo educativo. Na educação escolar, procuramos reconhecer e valorizar os saberes das famílias, contudo, se de um lado parcerias são sempre bem-vindas e necessárias, de outro elas não podem ocorrer confundindo-se os papéis, no lugar de ou em substituição a profissionais sob pena de desqualificação do processo educativo e, consequentemente, das aprendizagens e do desenvolvimento dos próprios alunos.

Em tempos de delírios governamentais em prol do “home schoolling” e do desmonte da educação pública, laica e gratuita em nível federal, é preciso mais do que nunca ressaltar que ter responsabilidades compartilhadas e educar de forma complementar não é o mesmo que a família exercer atribuições específicas dos profissionais da educação escolar, ou o profissional da educação escolar participar da vida familiar de um aluno.

Seja na escola, seja na família, vínculo e afetividade cumprem papel de motivação essencial para  a aprendizagem e para o desenvolvimento das crianças, jovens e adultos aprendizes. No entanto, a educação escolar se diferencia da familiar pela sua intencionalidade e sistematização dos processos de aprendizagens – há sempre uma carga de emoção envolvida em todo relação educativa, mas na escola ela é balizada justamente pela intencionalidade pedagógica, planejada e definida profissionalmente, de forma mais consciente e menos intuitiva, amparada e norteada pelo projeto político-pedagógico da escola, que por sua vez sustenta princípios, concepções e valores comuns e universais que não representam necessariamente  princípios, concepções e valores individuais dos sujeitos, ou de cada família.

Quanto menos se tem consciência dos processos educativos, das estratégias pedagógicas e das formas  e finalidades da organização escolar, mais propensos os sujeitos ficam a se deixar levar pela emoção, podendo  adotar atitudes baseadas em princípios, concepções e valores individuais conflitantes aos que norteiam a educação pública. Essa é uma das razões pelas quais todos os profissionais da educação escolar vivenciam, ainda que no âmbito da escola, processos de formação continuada (mesmo os professores, que por requisito do cargo precisam ter formação em Magistério ou em Pedagogia; mesmo os auxiliares em educação, cuidadores, monitores, estagiários de apoio à inclusão etc, que atuam sob orientação direta, supervisão e acompanhamento do professor da turma).

A emoção nem sempre é boa conselheira, podendo afetar negativamente o olhar  e a conduta profissional, por isso mesmo evitamos atribuir para uma professora, ou para uma auxiliar de apoio à inclusão, uma turma em que seu próprio filho, ou até mesmo um parente, esteja matriculado.

Assim, essa mescla de dois papéis distintos (o de ser mãe e cuidadora do próprio filho na escola) pode parecer uma “solução” rápida e fácil para um problema concreto – a falta de profissionais para o apoio à inclusão -, mas, em se tratando de educação escolar, soluções  aparentemente rápidas, fáceis e baratas costumam trazer mais prejuízos do que benefícios. 

Fazendo um parênteses, é importante ressaltar que não somente a falta de profissionais para apoio à inclusão, como de profissionais para o serviço público em geral tende a se agravar caso não seja revertido o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, que foi aprovado em janeiro do ano passado pelo governo federal anterior, com voto e apoio do atual presidente, quando deputado. Tende a se agravar, ainda, com os cortes que o governo federal está fazendo nos orçamento público, em especial com os cortes de recursos para a educação. E mais: de um modo geral, as condições de vida da maior parte da população, que é pobre e trabalhadora, tende a piorar com a Reforma da Previdência, mas esse é um assunto que volto outro momento.

Fico aqui com as palavra do Mestre Miguel González Arroyo (apesar de ele se referir especificamente a docentes, sabemos bem que na ação de apoio cotidiano, auxiliares, monitores em educação, cuidadores – ou qualquer outro nome que se possa dar Brasil afora, cumprem função educativa essencial em parceria com os professores):

“Um ofício descartável?

Temos uma história e uma memória. Dominamos segredos e artes de um ofício. De um ofício descartável? Os apelos tão na moda de todos os lados, dos interesses neoliberais e também dos progressistas de pretender colocar no cerne da ação educativa e escolar a comunidade, as famílias e as organizações sociais, a sociedade difusa dos empresários, a mídia e os amigos da escola, correm o perigo de descaracterizar esse núcleo constitutivo de toda ação educativa. Correm o perigo de tirar o foco da dimensão pessoal, do diálogo e convívio de gerações, do saber-fazer, das artes dos professores (…)

Não podemos confundir e substituir a gestão participativa pelo cerne da relação educativa. A mobilização e participação das comunidades e das famílias poderia ser equacionada nas dimensões socializadoras, educativas que sem dúvida têm. Poderia ser uma oportunidade para que os educandos e educadores percebessem as proximidades entre os espaços familiares, comunitários e escolares, entre os saberes do currículo e os saberes sociais. Poderia ser uma oportunidade para que a escola se abra à cultura, à memória coletiva e à dinâmica social. Cientes, porém, de que avançar nas formas de participação da comunidade escolar e da sociedade não suprirá nunca ofício dos mestres, assim como avançar na gestão participativa dos centros de saúde não poderá dispensar nunca o trabalho artesanal e profissional dos trabalhadores da saúde”.

                      (Arroyo, Miguel G. Ofício de Mestre: Imagens e Auto-imagens. 2002, p.20)

 

 

 

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